Lisboa, 17 (AE) - Para o Banco Comercial Português, o segundo maior grupo financeiro português e quarto da Península Ibérica, o motivo por que não atua no Brasil é a falta de um parceiro brasileiro.
"Temos uma política de nos países fora de Portugal nunca operarmos com o nosso nome. Arranjamos sempre um parceiro local e operamos com o nome do parceiro", afirma Antônio Cunha Vaz, porta-voz do grupo.
Todos os bancos com posições acima do BCP na península atuam no Brasil: o Santander Central Hispano, o Bilbao Vizcaya e a Caixa Geral de Depósitos - que controla o Bandeirantes.
Na entrevista coletiva em que o presidente do BCP anunciou a aquisição do Banco Mello, esta terça-feira, Jorge Jardim Gonçalves disse que um dos motivos que facilitou a operação foi nenhuma das instituições ter exposição na América Latina.
Quando o BCP adquiriu o Banco Português do Atlântico, que tinha uma filial no Brasil, acabou por vender os ativos brasileiros do banco. "Temos escritórios de representação em São Paulo e no Rio. Não nos interessa ter um banco em nome próprio", diz Vaz.
Segundo Vaz, o BCP já teve contatos para uma parceria para o mercado brasileiro. "Houve contatos preliminares, mas nunca chegamos à fase das negociações. Neste momento estamos a desenvolver estratégias para o mercado espanhol e a consolidar em Portugal. Depois veremos."
Atualmente, o banco tem parcerias em três países, na Holanda, onde detém 50% do Achmea, na Polônia, em que possui 50% do Millennium Bank em associação com o Big Bank e em Moçambique, com 50% do maior banco privado do país, o Banco Internacional de Moçambique - o Banco Mundial detém 25% e o Estado moçambicano o resto. No entanto, a administração está a cargo do Estado.
O banco teve uma ruptura com o grupo Central Hispano, quando este se associou ao Santander.
"Uma das condições que colocamos para as parcerias é que os bancos não podem atuar com o nome próprio em Portugal, assim como nós não atuamos nos outros países. Quando o Central Hispano se juntou com o Santander, acabou a parceria e neste momento estamos a procurar um novo parceiro para o mercado espanhol."
Seguindo essa lógica, dos grandes bancos brasileiros, apenas o Bradesco e o Unibanco poderiam se associar ao BCP. O Itaú tem participação no BPI - o quinto maior de Portugal - e o Real está ligado ao ABN, que possui uma filial portuguesa.

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