BC vende mais US$ 500 milhões em leilão-conjugado
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 10 (AE) - O Banco Central vendeu hoje mais US$ 500 milhões ao mercado no segundo leilão-conjugado que fez para abastecer o mercado com dólares na virada do ano. A demanda, no entanto, chegou a US$ 839,5 milhões. Mas o chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin) do BC, Daso Coimbra, avaliou que a "demanda real" ficou próxima dos US$ 500 milhões vendidos e afirmou que "agora o mercado está suprido".
Ele explicou que a demanda chegou a US$ 839,5 milhões porque os "dealers" (bancos que operam em nome do BC no mercado) são obrigados a participar do leilão e também fizeram propostas. Mesmo não tendo interesse em adquirir a moeda. Coimbra ressaltou que, embora o mercado esteja suprido, o BC continuará monitorando as demandas das instituições por dólar e, se necessário, serão feitos outros leilões. "Estamos prontos para fazer novos leilões", assegurou.
Com as preocupações por causa do bug do milênio e, também, pela sazonalidade do final do ano - quando há uma retração na oferta de linhas externas ao País, ao mesmo tempo em que são feitos fortes pagamentos ao exterior -, o Banco Central lançou mão da alternativa dos leilões-conjugados para abastecer o mercado com dólares. Para participar, no momento em que apresenta a proposta para a compra da moeda americana, o banco também assina o compromisso de revendê-la ao Banco Central. O primeiro leilão foi feito no dia 3 passado e o segundo hoje.
Nos dois a data de liquidação da venda dos dólares será no dia 29 próximo. Isso significa que, naquele dia, o BC entrega a moeda americana às instituições. No dia 5 de janeiro será a data de liquidação de compra do primeiro leilão - ou seja, os bancos devolvem os dólares ao BC e recebem os reais. A data de liquidação de compra do segundo leilão será 10 de janeiro. "A idéia dos leilões foi só para este período", disse o chefe do Depin. Ele admitiu, porém, que "havendo novos problemas conjunturais", o BC poderá voltar a fazer os leilões conjugados depois da passagem do ano.
Sem revelar a cotação que aceitou vender a moeda, Coimbra afirmou que a diferença entre o preço que o BC vendeu os dólares e o que vai receber em janeiro foi de R$ 0,006217 a favor dos bancos. No total, portanto, uma diferença equivalente a R$ 3,1 milhões. O chefe do Depin garantiu que isso não significa perda para o Banco Central porque, no período entre as datas de liquidação das duas operações, este valor será compensado com a aplicação dos reais que recebeu dos bancos.
Coimbra admitiu que quem comprou dólares no segundo leilão conseguiu um preço mais baixo. Isso porque a taxa de juros cobrada entre os bancos nos empréstimos em dólar já está mais baixa que na semana passada. Caiu de 8% ao ano para 6,5%, mesmo nível do período que antecedeu a retração de linhas por causa do bug, segundo o chefe do Depin. Nas propostas que fazem ao BC, os bancos consideram estas taxas no cálculo da cotação que oferecem.
O chefe do Depin assegurou, ainda, que, mesmo havendo necessidade de fazer mais leilões, não há risco do Brasil descumprir a meta fixada no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em relação ao piso das reservas líquidas. Ele disse que em novembro o piso era de US$ 20,990 bilhões e o País fechou o mês com US$ 25,990 bilhões. Para este mês, o piso é de US$ 20,300 bilhões. "Estamos com mais margem ainda", afirmou.


