Curitiba, 19 (AE) - O juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Alexandre Barbosa Fabiane, autorizou o Banco Central a rastrear as contas bancárias do ex-presidente da Banestado Leasing, Osvaldo Magalhães dos Santos, acusado de ser o responsável por 25 operações financeiras de risco entre 1995 e meados de 96, que deram um prejuízo aproximado de R$ 160 milhões ao Banco do Estado do Paraná. Santos morreu no fim do ano passado em acidente de carro, quando exercia a função de secretário de Estado do Esporte e Turismo.
De acordo com o promotor de Defesa do Patrimônio Público
Luiz Fernando Delazari, responsável pelo inquérito civil, os empréstimos podem ser considerados "ilegais". Segundo ele, os empréstimos foram dados a empresas sem capacidade financeira, outras fora da área de atuação do banco e algumas que não tinham bens como garantia. Na época, os empréstimos eram de R$ 90 milhões. "Hoje estão em R$ 160 milhões e o banco não tem condições de cobrar", disse.
Delazari disse que o ex-presidente da Leasing, filho do deputado federal Joaquim dos Santos Filho (PFL), era o "grande responsável" pelas operações ilegais. "Dos 25 casos apurados, há a assinatura dele em 24 e, do outro, ele também participou", declarou. "Ele era mentor e arquiteto." Em maio de 97, a Justiça já tinha determinado a quebra do sigilo dos ex-diretores da Banestado Leasing Luiz Antonio Eugênio de Lima, José Edson Carneiro Souza e Nacim Jorge André Neto, além de Elzir Bagio, suspeito de intermediar as negociações.
Em uma das contas de Bagio, no Citibank, a promotoria encontrou depósitos com cheques de empresas beneficiadas, um dia depois de o empréstimo ser liberado. Ele pretende que o dinheiro dos empréstimos ilegais sejam devolvidos. "O espólio do ex-presidente responde por isso", afirmou. "Era tudo feito às claras, não havia nenhum cuidado em esconder as irregularidades", disse Delazari. Ele pretende ingressar com ação civil pública até setembro, quando o Banestado deve ser privatizado.
O promotor pretende responsabilizar também as empresas que receberam os empréstimos ilegais. As investigações começaram em 96, quando o então presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid
instaurou uma auditoria que deu suporte ao pedido de investigações no Ministério Público. Com as denúncias de Cid, feitas à época, o governador Jaime Lerner (PFL) tirou Santos da Leasing, mas o manteve no governo com o cargo de secretário. Somente depois de sua morte o Ministério Público pode pedir a quebra de sigilo bancário, pois sendo secretário isso só podia ser feito pela Procuradoria Geral da República.

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