BC vai informar taxa de câmbio a cada 30 minutos
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 26 (AE) - A partir de amanhã o Banco Central vai divulgar a cada 30 minutos a taxa de câmbio praticada no mercado entre 10 e 17 horas. No final do dia, por volta das 19 horas, o BC continuará informando a taxa de câmbio média praticada no dia anterior. Segundo o chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin), Daso Coimbra, o objetivo da medida é dar ao próprio mercado e aos clientes parâmetros para o fechamento de contratos. "Queremos que eles tenham uma fonte de referência", afirmou.
Coimbra admitiu que o BC também usará as informações do boletins intermediários nas operações de compra e venda de títulos cambiais ao mercado, como as Notas do Banco Central - Série Especial. O chefe do Depin acredita que a nova sistemática também vai auxiliar os interessados na compra de moeda estrangeira, como os turistas que viajam ao exterior, pois eles terão informações mais atualizadas para efetuar a compra.
Até hoje, o BC divulgava a taxa de abertura, dois boletins intermediários e, no final do dia, a taxa média praticada ao longo de todo o dia. Esta última servia de parâmetro para o fechamento de contratos. Mas, segundo Coimbra, as instituições sempre eram obrigadas a fazer ajustes. "Agora todos vão ter uma informação mais confiável", afirmou o chefe do Depin, lembrando que nos dias de maior volatilidade a taxa do final do dia ficava muito defasada.
As taxas serão informadas por meio do sistema eletrônico de comunicação do Banco Central com o mercado financeiro, o chamado Sisbacen, e também na página do BC na Internet (www.bcb.gov.br).
Coimbra acredita também que as hipóteses de especulação para forçar uma taxa de câmbio serão menores. Ele disse que, diferentemente do que ocorreu algumas vezes, quando instituições entraram no mercado comprando ou vendendo dólar para forçar a elevação ou queda das taxas, agora será mais difícil. "Eles teriam que fazer a cada meia hora", disse. Também deverão ser menores, segundo ele, os "spreads" cobrados pelos bancos. Ou seja, a diferença a maior que a instituição cobra sobre o valor que adquiriu a moeda estrangeira. Isso por causa da frequência que as taxas serão informadas.
Coimbra deixou claro que a nova sistemática de informação é apenas para auxiliar o mercado e os clientes. Ele afirmou que não há obrigatoriedade para que as instituições fechem contratos especificando qual a taxa será usada. "Isso será uma decisão entre as partes", afirmou. No caso dos cartões de crédito, por exemplo, o chefe do Depin lembrou que o BC não tem qualquer ingerência sobre a relação das administradoras com os clientes. Mas ressaltou que, havendo entendimento, as empresas e os usuários poderão definir em contrato qual o boletim do BC será usado como parâmetro para o pagamento de despesas feitas no exterior. "Eles poderão concordar se a taxa será a do boletim das 10 ou das 15 horas, por exemplo".


