Rio, 23 (AE) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, anunciou hoje que o relatório de setembro de metas de inflação vai incluir também projeções para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses subsequentes. Ele destacou que o indicador tem influência direta na inflação e sua divulgação dará ainda mais transparência ao novo modelo de metas adotado pelo governo em junho deste ano.
Werlang explicou que apesar de a economia estar crescendo, o PIB ainda registra uma performance muito abaixo do seu potencial de expansão. Esse fator provoca "grandes pressões deflacionárias", por causa da demanda deprimida, o que, segundo ele, deve ser analisado com atenção quando se observa a trajetória dos índices de preços. O diretor acrescentou que o Banco Central está aberto a propostas sobre a elaboração do relatório de metas. "Já tivemos várias sugestões, algumas foram incorporadas, outras não", afirmou o diretor durante um seminário na Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O governo está estudando também a adoção de indicadores que antecipem a trajetória da inflação no curto prazo. A previsão é concluir o trabalho nos próximos dois meses. O diretor revelou ainda que se for identificado um mecanismo simples para prever a variação de preços no curto prazo, o modelo será incluído no relatório de metas. Caso contrário, o indicador será usado apenas internamente na instituição.
Já o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, destacou o trabalho de reestruturação que vem sendo promovido no BC. Uma das prioridades é aprimorar o sistema de pagamentos no País, melhorando a qualidade dos serviços de compensação de cheques, liquidações de títulos e de operações de câmbio. Com a mudança, o banco quer evitar a possibilidade de risco sistêmico do mercado financeiro. Segundo Fraga, a questão começou a ser analisada há um mês, mas só terá resultados concretos em 15 meses.
Em palestra em seminário na FGV, o presidente do BC destacou ainda que o governo estuda modernizar os instrumentos de política monetária. Ele citou como exemplo as novas regras nos fundos de investimentos, que dão mais flexibilidade e liquidez ao setor. Fraga ressaltou ainda que a equipe econômica tem investido na melhoria das regras de supervisão do sistema financeiro. O trabalho visa avaliar com mais cuidado as carteiras de crédito dos bancos para ter certeza da saúde financeira das instituições.
Fraga não quis comentar as turbulências no mercado de câmbio nos últimos dias. Ele se limitou a comentar durante sua palestra que vê com bons olhos a trajetória da economia, mas alertou que "as coisas mudam e podemos tomar decisões que podem ser difíceis, mas terão de ser tomadas". Ainda sobre a tendência dos juros que será abordada na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o presidente acrescentou que "tudo será avaliado a cada mês".
Já Werlang considerou um "exagero" o comportamento do mercado na última sexta-feira, quando o dólar disparou. Segundo ele, a oscilação não tem base nos fundamentos da economia e foi provocada pelo nervosismo no mercado.

mockup