Brasília, 14 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou há pouco que o BC atuará, nos próximos meses, no sentido de flexibilizar o direcionamento de crédito. Ele lembrou que este direcionamento tem provocado uma elevação dos juros dos empréstimos feitos com os recursos livres. Fraga também acrescentou que nem mesmo os setores que deveriam ser beneficiados por este direcionamento estão tendo efetivamente um benefício. O presidente do BC comentou ainda que o BC fará esforços no sentido de dar maior negociabilidade aos empréstimos na carteira dos bancos. Segundo Fraga, a idéia é permitir a securitização de créditos e, com isso, abrir mais espaço na carteira dos bancos para que eles ofereçam mais crédito ao público. Outra medida que o BC adotará nos próximos meses é aperfeiçoar a central de risco de crédito e passar a incluir informações positivas sobre os bons pagadores. "A idéia é que os bancos tenham um sinal positivo para o bom pagador e que ele não seja prejudicado pela inadimplência de outros". Ele afirmou que o BC adotará medidas para reduzir os trâmites burocráticos exigidos atualmente para que seja concedido o empréstimo bancário. Segundo Fraga, o objetivo é privilegiar o pequeno tomador de crédito. Ele disse tambbém que o BC estuda formas de aperfeiçoar as demonstrações financeiras que os bancos encaminham hoje ao BC por meio do Cosif.
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou há pouco, em solenidade no Palácio do Planalto - da qual participa também o presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães -, que, no discurso que fez no Itamaraty, ainda no período eleitoral, ele anunciou que a adotaria medidas duras para garantir a estabilidade da economia. O presidente ressaltou que isso foi feito antes de qualquer negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Fernando Henrique lembrou que, naquela ocasião, o Brasil havia perdido cerca de US$ 20 bilhões de suas reservas e precisava adotar medidas para evitar que "o trem saísse dos trilhos". Ele lembrou que, depois de sua reeleição, em um primeiro contado com os jornalistas, informou que o Brasil iria recorrer a mecanismos internacionais que garantissem a manutenção da credibilidade do País no exterior. Ao mesmo tempo, o presidente ressaltou que , em meio a essa disposição de se adotar "medidas duras" para garantir a estabilidade, ele falava sobre a necessidade de se buscar como objetivo principal o crescimento e desenvolvimento econômico. O presidente relembrou ainda aos presentes ao encontro o quanto foi difícil "segurar o leme" no período de setembro do ano passado até pouco tempo atrás. "Ninguém sabe como foi difícil manter o leme. O esforço feito para que um país como o nosso se mantivesse nos trilhos", disse.

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