BC vai endurecer avaliação para aprovar dirigentes de bancos
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terça-feira, 14 de setembro de 1999
Por Soraya de Alencar e Gustavo Freire 
Brasília, 15 (AE) - O Banco Central vai tornar mais rígidos os critérios para avaliação e aprovação de dirigentes de bancos. A informação foi dada hoje pelo presidente do BC, Armínio Fraga, aos deputados integrantes das comissões de Finanças e Tributação e de Economia da Câmara dos Deputados. Fraga antecipou que voto neste sentido será apresentado ao Conselho Monetário Nacional (CMN) neste mês ou, no máximo, em outubro.
Pelas regras atuais, a exigência é que os dirigentes de instituições financeiras tenham reputação ilibada e capacitação técnica. A única regra mais rígida é em relação aos dirigentes de fundos financeiros, que respondem separadamente pelas carteiras destas aplicações e podem ser responsabilizados penal e civilmente por fraudes ocorridas nos fundos.
Competividade - Na exposição aos parlamentares, Fraga defendeu uma maior competitividade do sistema financeiro como forma de garantir "o custo de empréstimos bancários em um nível mais adequado". Para isso, segundo ele, três pontos são fundamentais: o primeiro é a aprovação da reforma tributária. De acordo com Fraga, a aprovação da reforma tributária dará uma grande contribuição para a redução dos juros. "Alguns impostos se traduzem em cunha", destacou.
O segundo ponto é a melhora na qualidade do crédito. Hoje o risco do crédito tem pesado nas taxas cobradas pelos bancos. Segundo ele, o BC fará propostas para alterar a legislação bancária que poderão contribuir para que haja menos risco no crédito. O terceiro e último ponto fundamental para a queda dos juros, na avaliação de Fraga, é a concorrência. "É fundamental um sistema competitivo", disse. E enfatizou que "é fundamental a entrada de mais bancos no sistema e instituições capitalizadas" para haver mais competitividade.
Questionado se a redução de compulsórios e consequente maior liquidez do sistema não estaria levando os bancos a garantirem um lucro mais fácil com aplicações em títulos, ele voltou a defender a competitividade. "Se não houver concorrência qualquer empresário vai maximizar o lucro", concluiu.


