BC vai discriminar dívida externa por prazo de vencimento
que passou a captar também as operações de curto prazo renovadas, enquanto que a dívida não registrada ficou somente para as operações de prazo inferior a 360 dias não renovadas. Para evitar a confusão entre dívida de médio e longo prazos e dívida de curto prazo, o BC vai voltar a classificar a dívida por esse critério antigo, permanecendo o registro no Firce para as operações de curto prazo que forem renovadas por prazo adicional que, somado ao prazo original, resulte em mais de 360 dias.Por Vânia Cristino Brasília, 14 (AE) - O Banco Central vai reclassificar a dívida externa para deixar bem claro o que é dívida de médio e longo prazos e dívida de curto prazo. A mudança, anunciada hoje pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, deverá estar consolidada na nova nota sobre o setor externo, que será divulgada nesta sexta-feira. Lopes explicou que a reclassificação é apenas para evitar confusões por parte de quem não está familiarizado com os conceitos utilizados pelo BC. "O Fundo Monetário Internacional (FMI) jamais questionou qualquer número nosso porque conhece os conceitos", disse Lopes, garantindo que o Brasil nunca teve qualquer problema com relação aos números apresentados. De acordo com o chefe do Depec, o Brasil vai rever o montante de recursos previstos para as amortizações este ano, da ordem de US$ 22 bilhões, porque este número foi estimado no início do ano passado e depois disso o BC detectou que existem problemas de defasagem de registros. "É um procedimento de rotina e o número final ficará próximo de US$ 22 bilhões", garantiu. Segundo Lopes, o balanço de pagamentos - onde são lançadas todas as transações do País com o Exterior- registra em amortizações apenas os empréstimos e financiamentos contraídos em prazo superior a 360 dias. Daí o número de US$ 22 bilhões previsto no início do ano passado para o volume de amortizações este ano, que sofrerá revisão por conta da defasagem nos registros. É que esse número foi feito com base no estoque da dívida externa apurado em dezembro de 1997 mais o fluxo da dívida de 1998 e 1999. Para este número, o BC não considerou a ocorrência de desembolsos em 1997 (ou seja, recursos que ingressaram naquele ano) mas que só foram registrados no ano seguinte. Daí que, segundo Lopes, uma vez feita a revisão, o número final certamente será um pouco superior ao estimado. As operações sob revisão envolvem desembolsos da ordem de US$ 2 bilhões, mas o BC ainda está levantando quanto desse total será amortizado este ano. Outra coisa, segundo ele, são os capitais de curto prazo, ou seja, linhas de financiamento contratadas com prazo original inferior a 360 dias, registradas no balanço de pagamentos como tal. São essas linhas comerciais, de financiamento às importações, que somam US$ 10 bilhões. O chefe do Depec explicou que, como o comércio está crescendo, o BC considera que essas linhas terão rolagem plena. "O que não se pode fazer é somar os US$ 10 bilhões, que são linhas de curto prazo que serão roladas, com os US$ 22 bilhões de amortizações previstas para este ano com relação aos empréstimos e financiamentos de médio e longo prazo", disse. Acontece, segundo Lopes, que o departamento de Capitais Estrangeiros do BC (Firce) passou a exigir, a partir de 1997, registro das operações de curto prazo, cujo prazo original - menor que 360 dias - somado ao prazo do rolagem, resultasse num prazo total superior a 360 dias. "Mas isso não significa que a operação deixou de ser de curto prazo", disse Lopes. Ele deu como exemplo uma operação contratada com prazo original de 270 dias, depois renovada por mais 180 dias. Na soma dos dois prazos - o original e o da renovação -, essa operação passa a ter 450 dias. Com essa modificação para maior abrangência das operações, o Firce passou a registrar também as operações de curto prazo. Isso, segundo Lopes, provocou um inchamento da dívida registrada





