São Paulo, 12 (AE) - O Banco Central só vai apresentar as informações sobre a venda privilegiada de dólares aos Bancos Marka e Fonte Cindam na primeira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro. "Já está certo que a apresentação será feita à CPI", informou hoje o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. As conclusões inicialmente seriam divulgadas publicamente. A reunião da CPI ainda não tem data fixada. Segundo Fraga, o relatório já está praticamente concluído e responde aos questionamentos formulados na CPI.
O presidente do Banco Central defendeu hoje todas as operações, considerando-as necessárias e corretas do ponto de vista jurídico e institucional. "Não quero entrar em detalhes sobre assunto que será apresentado à CPI, mas estávamos num momento de banda diagonal, sob pressão; havia risco sistêmico localizado", disse Fraga. "A percepção era, como acabou sendo, um movimento de mudança muito traumática e violenta de mercado. A decisão do BC foi pautada por esse objetivo maior, de proteção do regime cambial que vigorava naquele momento".
Os fatos analisados no relatório, apesar de técnica e juridicamente corretos do ponto de vista do BC, indicaram fragilidades nas regras de auto-regulação da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Segundo Fraga, será necessária a adoção de regras que evitem o excesso de exposição do sistema financeiro e das instituições, em particular, a riscos. O novo modelo em estudo no BC vai analisar o risco total das operações, tanto no mercado de balcão como no de futuros. "A BM&F é uma bolsa que tem tido muito sucesso num ambiente turbulento ao longo dos anos, mas a administração do sistema pode, em determinados momentos, ser aprimorada", disse. "Estamos estudando o assunto no âmbito da supervisão prudencial dos grandes riscos do sistema e nesse contexto é possível que o BC tenha de trabalhar com a BM&F e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), com o objetivo maior de evitar riscos exagerados nas áreas de prazos, taxas e câmbio.
Inflação - Fraga informou que o Banco Central está trabalhando para a adoção de um sistema de metas de inflação, já que o "índice de inflação é que vai orientar a política monetária". Embora o índice ainda não tenha sido definido, o presidente do BC antecipou que será um índice de preços ao consumidor. "Temos um grupo no BC trabalhando na montagem do modelo, já bastante avançado. Vai haver um seminário daqui a três semanas com bancos centrais do mundo inteiro".
Fraga destaca que o sistema de metas de inflação "dará mais transparência à atuação do BC e, com isso, ao longo do tempo, o processo adquire maior credibilidade". Segundo ele, com o sistema, na prática, o BC terá controle externo do que se faz hoje, "uma maneira muito boa de substituir a âncora cambial
que fazia automaticamente tudo isso: você tem uma meta, a âncora era uma trajetória da taxa de câmbio. Esse mecanismo que nós estamos prestes a adotar serve para a mesma função". Depois de alguns anos, segundo Fraga, "a minha expectativa é que isso contribua enormemente para estabilizar a expectativa de inflação. Significa que, quando se tiver desvios, o próprio mercado vai antecipar-se e produzir uma correção".

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