BC usa títulos para regular câmbio, e dólar passa o dia contido
São Paulo, 3 (AE) - Os sucessivos leilões de papéis cambiais levaram o dólar a permanecer em queda hoje durante boa parte do dia. Só no fim do expediente, quando praticamente não havia negócios, a moeda voltou a subir, mas sem muita convicção, tanto que fechou pelo mesmo preço da véspera, R$ 1,914, máxima do dia.
Já nos primeiros negócios, a moeda apresentava queda. Os dois leilões de Notas do Banco Central (NBCs) da série Especial contribuíram para mantê-la em declínio, chegando à mínima de R$ 1,8980, o menor preço desde 24 de agosto. Mas o dólar resistiu e voltou a subir, atingindo a máxima de R$ 1,915. De qualquer forma, a pressão de alta verificada até quarta-feira parece ter sido contida.
O BC tem feito dois tipos de leilão: extraordinários e antecipados. Os extraordinários implicam colocação líquida (diferença entre venda e resgate de títulos) de NBC-Es. Nos antecipados, o BC procura garantir a rolagem dos vencimentos pesados de papéis públicos indexados à correção cambial em setembro.
O BC promoveu mais dois leilões de papéis cambiais hoje. No primeiro, vendeu antecipadamente R$ 1 bilhão em NBC-Es com emissão prevista para 13 de setembro e resgate em janeiro de 2001. A taxa foi de 14,69% mais a variação cambial.
O segundo foi extraordinário. E, apesar do nome, esses leilões estão cada vez mais frequentes na política do governo para garantir hedge (proteção) ao mercado. O volume foi equivalente a R$ 500 milhões em NBC-Es com vencimento em 16 de março de 2000 e liquidação financeira na segunda-feira. A taxa ficou em 11,99%, a mesma dos últimos três leilões.
As desavenças entre os ministros Pedro Malan, da Fazenda
e Clóvis Carvalho, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por causa da disputa desenvolvimento versus crescimento não foram lidas pelo mercado como um problema. Não houve nem esboço de reação ao bate-boca.
Bate-boca - Um mês atrás, com certeza, a reação do mercado seria outra, observam analistas, da mesma forma que os investidores iriam encarar de maneira diferente a liberação do câmbio no Chile, anunciada na noite de quinta-feira.
A medida tende a isolar ainda mais a Argentina. E qualquer fato que tenha impacto na Argentina acaba respingando no Brasil e nos outros países da América Latina.
Mas a tranquilidade do mercado mostra que há uma ligeira melhora na percepção em relação à mais recente crise. Não se pode esquecer, porém, que essa melhora se deve muito mais aos leilões de NBC-Es. O mercado tem dúvida de que, se o BC deixar de fazer esses leilões, a moeda se mantenha nesse nível. E oferta não vai faltar.
No fim da tarde de hoje, o BC informou que vai emitir para sua própria carteira - ou seja, para ter de reserva quando precisar - mais R$ 15 bilhões em NBC-Es. Os prazos de vencimento variam entre abril e junho do ano 2000.





