Brasília, 15 (AE) - O Banco Central (BC) vai tentar, com atraso e sem instrumento legal, trazer de volta ao País os R$ 17 milhões remetidos ao exterior pelo controlador do Banco Marka, Salvatore Cacciola.
"Se for possível, vamos atrás", disse hoje o presidente do BC, Armínio Fraga Neto, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos.
Mas o diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez
admitiu que as chances de recuperar o dinheiro são remotas. "A lei brasileira não atinge outros países", afirmou. Alvarez disse que o Marka não cometeu ilegalidade na remessa. "Os recursos tinham ingressado no Brasil e saíram, o que não caracteriza nada ilegal."
A sugestão para que o BC tentasse resgatar o dinheiro que Cacciola mandou para fora do País foi feita pelo vice-presidente da CPI dos Bancos, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), que, no dia anterior, tinha proposto o bloqueio dos bens dos donos e controladores dos Bancos Marka e FonteCindam. Mas Arruda lembrou que talvez os banqueiros tenham ficado com pouco dinheiro e patrimônio no Brasil e que é necessário tentar reaver o dinheiro remetido ao exterior por Cacciola. "A CPI poderá ajudar nessa busca", disse o senador tucano.
Alvarez confirmou que o dinheiro foi mandado para o exterior por Cacciola no mesmo dia em que o BC passou a operar no Banco Marka. "Ele disse-nos que tinha feito a remessa, mas que era para pagamento de credores do banco no exterior", informou Alvarez.
O diretor de Fiscalização do BC disse que a operação foi autorizada porque ninguém sabia quem era o titular do fundo de renda fixa capital estrangeiro no Brasil, administrado pelo Banco Stock Máxima. "Sabíamos que o principal cotista era o Marka Bank, com sede nas Bahamas, mas não tínhamos conhecimento de que eram os verdadeiros investidores", explicou.
Hoje, no entanto, Alvarez parece não ter mais dúvida de que o dinheiro era do dono do Marka. "Tudo indica que era dele mesmo", afirmou. "Mas não há provas até agora." Pela primeira vez, tanto Fraga Neto como Alvarez falaram que o dinheiro que saiu do País foi realmente no valor de R$ 17 milhões. "Mas esse fundo perdeu dinheiro, pois saiu menos dólares do que entrou", disse o diretor de Fiscalização do BC.
Fraga Neto não soube informar qual foi o prejuízo do BC na operação de ajuda aos Bancos Marka e FonteCindam. Ele teve um bate-boca com o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que quis saber o valor exato do prejuízo. "Não tenho esse número de cabeça e questiono inclusive o conceito de perda, pois é preciso avaliar essas operações dentro das políticas globais do Banco Central na defesa do País", afirmou Fraga.
"Não vou aqui perder meu tempo em debate com o sr. sobre o significado de conceitos teóricos, mesmo porque não estou interessado na sua visão liberal ou neoliberal", rebateu Requião. "Quero sabe quanto do prejuízo total de R$ 7,6 bilhões que o Banco Central teve em suas operações na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) coube à ajuda aos Bancos Marka e FonteCindam", perguntou o senador. Fraga Neto pediu o prazo de uma semana para mandar a informação à CPI dos Bancos. Mas disse que, ao contrário de Requião, não tinha um pré-julgamento sobre o que tinha acontecido com as duas operações.

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