BC sinaliza juro em 39% e contém pressões do mercado
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 22 (AE) - O Banco Central tratou hoje de mostrar às instituições financeiras, logo na abertura do mercado
que os juros permanecerão na faixa de 39% ao ano pelo menos até quarta-feira. Com isso, neutralizou eventuais pressões decorrentes da divulgação de índices de inflação.
Esse foi o entendimento de operadores e executivos financeiros depois das três intervenções feitas pela autoridade monetária no mercado de overnight lastreado em títulos públicos, fixando os juros básicos da economia.
Já no início do dia, o BC deixou claro que o nível dos juros não mudaria. Mas alterou sua forma de atuação: há cerca de 15 dias vem comprando, diariamente, os recursos disponíveis no mercado. Assim, o mercado fica sabendo no dia os juros básicos que servirão de referência para todos os negócios do sistema financeiro.
Hoje o BC indicou taxas para dois dias. Ao avisar os dealers - instituições financeiras que operam no mercado em seu nome - que faria tais operações, alimentou a expectativa de modificação nos juros. Como a inflação deverá dar um salto significativo em fevereiro, as apostas passaram a ser de alta, já que o governo deixou claro que o aperto monetário será o caminho para freá-la.
A autoridade, porém, manteve as taxas inalteradas, fazendo com que poucos bancos fechassem negócio a 39%. Como, na segunda intervenção, a taxa ficou ligeiramente menor, 38,90% ao ano, operadores interpretaram a atuação do BC como uma espécie de "punição" às instituições que pediram uma remuneração maior. Isso ficou claro na terceira atuação, quando a taxa aceita foi de 38,8% ao ano.
Índices - Serão divulgados nesta semana quatro números sobre a inflação de fevereiro. Hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciou a segunda prévia do IGPM, de 2,37%. Amanhã (23), será a vez da Fipe divulgar o resultado da segunda quadrissema do IPC de fevereiro e quinta-feira serão anunciados o número final do IGPM de fevereiro e a terceira quadrissema da Fipe.
Na sexta-feira, o mercado especulou que o número divulgado hoje pela FGV ficaria acima dos 3%. Embora não tenha confirmado as projeções do mercado, trata-se de um número alto, disse um conceituado operador. Por isso, na sua opinião, a intervenção de hoje no BC foi para conter as pressões (e especulações) do mercado quanto a uma alta dos juros.
Isso não significa, porém, que o governo vá baixar os juros. O entendimento geral é que permanecerão nesses níveis até que a equipe econômica esteja realmente completa. Uma mudança mais brusca na política monetária será feita depois que o novo presidente do BC já tenha sido efetivamente aprovado pelo Congresso.
Para conter as pressões que poderiam levar a alta dos juros o governo conta ainda com um aliado: a disponibilidade de recursos do mercado financeiro (liquidez), que está elevada. Segundo operadores, é bem mais fácil impedir as pressões de alta quando há sobra de dinheiro no mercado, da mesma forma que, para subir os juros, o ideal é ter de operar com um mercado com falta de recursos.
A manutenção das taxas de juros levou à queda generalizada nos mercados futuros. O fim do mês está próximo e os investidores precisam ajustar suas projeções futuras à taxa do dia, explicam analistas.


