Brasília, 26 (AE) - O Banco Central está revendo o resultado fiscal das estatais federais no primeiro semestre do ano. Técnicos da instituição encontraram uma grande discrepância de números nas duas metodologias usadas pelo governo para o cálculo das contas públicas. Enquanto uma metodologia aponta déficit de R$ 603 milhões, a outra registra um superávit de R$ 1 5 bilhão para as contas das estatais federais nos seis primeiros meses do ano.
Pelo critério usado pelo Banco Central e que é o válido na verificação das metas do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), as estatais federais apresentaram o déficit de R$ 603 milhões no semestre. Só em julho o déficit apurado pelo BC foi de R$ 924 milhões. Essa metodologia, chamada de "abaixo da linha", mede a variação da dívida no período calculado.
Já pelo outro critério, usado pelo Tesouro Nacional e conhecido como "acima da linha", os cálculos são feitos levando-se em conta a variação das receitas e despesas realizadas no período analisado. Foi por esse sistema que se chegou ao superávit primário de R$ 1,5 bilhão para as contas das estatais federais no primeiro semestre.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse que não foi possível identificar o motivo que levou à diferença de mais de R$ 2 bilhões entre uma metodologia e outra. "Os números estão sujeitos a revisão porque estamos buscando o que gerou essa discrepância", disse Lopes. Uma das possibilidades, de acordo com o chefe do Depec, pode ter sido uma redução do endividamento das estatais não captada pelo BC. Enquanto o BC não conclui o estudo, o resultado que está valendo para as contas das estatais federais é o déficit de R$ 603 milhões.

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