Brasília, 16 (AE) - O passivo a descoberto das 188 instituições financeiras liquidadas extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) desde 1994 atinge R$ 75,5 bilhões, informou a instituição à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro. De acordo com as explicações dadas pelo diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, nesse passivo, estão incluídos os créditos do Proer, de mais de R$ 20 bilhões.
Alvarez explicou para os senadores que o risco sistêmico de quebra em cadeia de instituições financeiras estava concentrado até 1997. O Programa de Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) contribuiu muito para evitar esse risco. De acordo com o BC, do total de créditos concedidos pelo Proer, 30% são contra a Caixa Econômica Federal (CEF), que adquiriu as carteiras imobiliárias dos bancos. Do restante, parte foi recebida pelo BC, como, por exemplo, o financiamento dado ao Banco Bamerindus, de cerca de R$ 6 bilhões.
A partir de 1997, segundo o BC, houve uma queda drástica no número de liquidações. Em 1994, por exemplo, o BC liquidou 41 bancos, com passivo a descoberto de R$ 31 bilhões. Em 1995, as liquidações somaram 54 e o passivo a descoberto de R$ 20 bilhões. Em 1996, foram 23 instituições, com passivo de R$ 2,7 bilhões. Em 1997,o BC liquidou 45 bancos com passivo de R$ 15,7 bilhões. Em 1998, o número de instituições liquidadas foi de 18, com passivo a descoberto de R$ 4,4 bilhões. Este ano, até o dia 23, o BC liquidou sete instituições com passivo a descoberto de R$ 800 milhões.
"O Banco Central não tem problema em liquidar bancos", disse Alvarez. No documento encaminhado à CPI, o BC justificou a não-liquidação extrajudicial dos Bancos Marka e FonteCindam, instituições de pequeno porte, pelas "sérias dúvidas sobre qual seria o resultado de uma crise cambial na economia como um todo e seus reflexos nas instituições financeiras". Diante de uma crise extremada, segundo o BC, o risco de contágio no sistema bancário estava presente.
O BC rebateu a sugestão de que persiste, no sistema financeiro, a fragilidade que motivou a criação do Proer. O sistema financeiro, segundo o BC, está sólido, o que não impede que, entre mais de mil instituições financeiras, um ou outro banco possa vir a quebrar.
Para evitar que isso aconteça, o diretor de Fiscalização do BC disse que a meta é trabalhar preventivamente - a instituição ter condições de entrar no banco antes de ele quebrar.

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