BC revê dívida e amortizações para 2000 sobem para US$ 30 bi16/Mar, 19:24 Por Vânia Cristino Brasília, 16 (AE) - As amortizações da dívida externa de médio e longo prazos previstos para este ano saltaram da estimativa inicial de US$ 22,2 bilhões para US$ 30,014 bilhões, informou hoje o chefe do departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes. Ele reconheceu que errou ao fazer a estimativa anterior porque não esperava que 70% do financiamento às importações, captado em 1999, ficasse num prazo próximo a 360 dias, ou seja, com vencimento para este ano. Mesmo com este erro de avaliação, Lopes assegurou que o País não terá que captar mais investimentos diretos nem fazer lançamentos extras de papéis no exterior. Ele também disse que o acréscimo de US$ 7,790 bilhões nos vencimentos não pressionará a taxa de câmbio. "Estes vencimentos serão automaticamente rolados, pois referem-se a financiamentos de importação", afirmou. Lopes ressaltou que mesmo com o acréscimo, as amortizações previstas para este ano estão em níveis bastante inferiores às do ano passado, que somaram US$ 49,562 bilhões. A nova estimativa do departamento econômico do Banco Central para os vencimentos da dívida externa de médio e longo prazos este ano saiu do processo de revisão de toda a dívida externa brasileira, que foi realizado nos últimos dois meses. A revisão, segundo Lopes, é uma rotina, mas este ano teve um ingrediente a mais. É que devido à mudança da sistemática de registro da dívida junto ao BC, a partir do final de 1997 o departamento de Capitais Estrangeiros (Firce) passou a considerar como dívida de médio e longo prazos (ou seja com prazo superior a 360 dias) a dívida de curto prazo que, somada ao prazo adicional de rolagem, ultrapassasse 360 dias. Isso motivou uma mistura na classificação da dívida, com as de médio e longo prazos sendo inchadas com a de curto prazo rolada. O BC, então, resolveu rever todos os registros e separar as duas coisas. De acordo com Lopes a conclusão do processo de revisão da dívida externa mostrou que o endividamento, ao final de 1998, estava superestimado em US$ 1,4 bilhão, relacionado a créditos de médio e longo prazos. Parte desse valor que saiu da dívida, segundo Lopes, deve-se, por exemplo, a créditos que foram convertidos em investimentos e isso não tinha sido captado pelo BC na estimativa anterior. Com o ajuste feito, agora de forma definitiva, a dívida externa total em 1998 caiu de US$ 243,163 bilhões para US$ 241 777 bilhões. Também foram alterados os números referentes à dívida anteriormente divulgada como de médio e longo prazos, que contemplava registros de curto prazo e a dívida de curto prazo. Todos os valores foram devidamente reclassificados. O número correto para a dívida de médio e longo prazos ao final de dezembro de 1998 é de US$ 215,134 bilhões. O número anterior era de US$ 219,999 bilhões. Com a reclassificação a dívida de curto prazo cresceu, passando de US$ 23,163 bilhões (estimativa anterior) para US$ 26,643 bilhões. Mesmo procedimento foi feito com relação ao ano passado. Para a dívida externa total a nova estimativa é de US$ 241,205 bilhões, contra os US$ 236,945 previstos anteriormente. Para a dívida de médio e longo prazos o BC divulgou o número de US$ 212 596 bilhões. O número divulgado anteriormente era de US$ 211,442 bilhões. Com relação à dívida de curto prazo a nova estimativa para o ano de 1999 é de US$ 28,609 bilhões, contra US$ 25,504 bilhões divulgados anteriormente. Foi na revisão da dívida do ano passado que o BC constatou que a maioria do financiamento às importações, que se acreditava estar com prazo de dois a três anos, estava com prazo pouco superior a 360 dias. "Não esperávamos um percentural tão significativo de financiamento de médio e longo prazo curto, ou seja, com prazo de 365 dias, 370 e assim por diante", disse Lopes. Na avaliação anterior, que resultou na estimativa equivocada de US$ 22,2 bilhões de vencimentos em 2000, o BC também contava com uma intensa migração do finaciamento de médio e longo prazos para curto, que passou a ser feito com câmbio antecipado. Isso também não ocorreu. Com relação à dívida externa estimada para janeiro deste ano, o chefe do Depec explicou que houve uma queda de US$ 1 bilhão na dívida de médio e longo prazos. "O setor privado pagou mais do que recebeu de financiamento a importações", disse Lopes. A dívida externa total em janeiro de 2000 está estimada em US$ 240,640 bilhões.

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