Brasília, 08 (AE) - O Banco Central está reunindo documentos para rebater o depoimento que o ex-senador José Eduardo de Andrade Vieira, ex-dono do Banco Bamerindus S.A, dará amanhã (09) à CPI do Sistema Financeiro. "Ele vai destilar veneno contra o Gustavo Loyola (ex-presidente do BC), o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e tentar atingir, de todas as maneiras, o presidente da República", disse uma fonte.
O Banco Central sabe que o ex-senador, que perdeu seu banco em março de 1997 e ficou com seus bens pessoas indisponíveis pela intervenção decretada pelo BC, tem ressentimento contra o governo. Na época, Andrade Vieira acusou o Banco Central de ter contribuído para as dificuldades financeiras do Bamerindus, espalhando boatos sobre o situação do banco.
Ele também alegou que o Banco Central não lhe deu tempo para implementar a proposta de reorganização e ajuste do banco. Andrade Vieira também não se conformou com a venda do banco para o HSBC (Hong Kong and Shangai Bank Corporation) por US$ 1 bilhão. O ex-senador sempre considerou que o Banco Central entregou o Bamerindus de graça.
Na avaliação do BC a situação foi outra. O Bamerindus vinha tendo dificuldades crescentes de captação e perda de recursos, sendo obrigado a recorrer, frequentemente, à assistência financeira do BC para conseguir financiar seus ativos. A proposta apresentada pelo grupo, segundo o BC, buscava simplesmente restabelecer a confiança e a credibilidade do banco
sem qualquer esforço significativo de capitalização da instituição nos prazos e montantes tidos como indispensáveis.
Daí a opção do BC pelo HSBC que, além de colocar dinheiro no Bamerindus, assumiu todas as obrigações do banco junto ao público. Para viabilizar a operação o BC utilizou, na época, o Proer para poder equilibrar ativos e passivos. Foram mais de R$ 6 bilhões, já pagos pela parte velha do Bamerindus, ainda hoje em liquidação extrajudicial.
Segundo o BC, em deferência ao ex-senador, a diretoria do Banco Central comunicou a intervenção e a solução para o Bamerindus antes do seu anúncio formal, já com o expediente bancário encerrado. Mais tarde o BC veio a saber que, no mesmo dia da intervenção, houve uma transferência de recursos da agência do Bamerindus, em Nova York, para uma empresa de Andrade Vieira no Paraguai - a Morangatu. O ex-senador também tentou, via liminar, liberar recursos próprios depositados em outro banco, no Paraná, mas foi impedido pelo BC.
A Comissão de Inquérito nomeada pelo Banco Central para verificar a situação do banco apurou, ao final dos trabalhos, que o Bamerindus tinha um passivo a descoberto de R$ 4,2 bilhões. Somado com o prejuízo apurado nas demais empresas do grupo - Bamerindus S.A. Participações e Empreendimentos, Bastec Tenologia e Serviços Ltda e Fundação Bamerindus de Assistência Social - o prejuízo total chegava a R$ 5,6 bilhões. De acordo com o relatório da Comissão de Inquérito o prejuízo no banco foi causado por operações bancárias que não deram certo, ou seja, créditos podres que não foram honrados no prazo previsto contratualmente.

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