Brasília, 16 (AE) - O Banco Central carregou, até o vencimento, 1º de fevereiro, os contratos dos bancos Marka e FonteCindam, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Segundo o diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, isso aconteceu porque o BC não tinha para quem repassar a sua posição. Sem querer confirmar os números, que podem ser obtidos do relatório entregue pelo Banco Central à CPI do Sistema Financeiro, Alvarez admitiu que, provavelmente, os cálculos que indicam um prejuízo de R$ 1,56 bilhão estejam certos.
Para não dar o número exato, o diretor de Fiscalização do BC argumentou que a operação tinha que ser vista dentro do seu conceito global, ou seja, dos objetivos do BC na execução da política econômica. "O Banco Central não age para ter lucro ou prejuízo", disse Alvarez. O argumento do diretor de Fiscalização é, que se a ótica é a do prejuízo com a operação, deve ser levada em conta o lucro, também obtido no período, pela não venda de dólares das reservas no mercado à vista.
O prejuízo provocado pelo Banco Marka e Fonte Cindam está incluído nos R$ 7,6 bilhões, já informado pelo BC, como o resultado de suas operações no mercado de câmbio futuro. Para separar o prejuízo dos dois bancos das demais operações, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, solicitou à CPI o prazo de uma semana e sofreu, por querer discutir conceitos, uma áspera repreensão do senador Roberto Requião (PMDB-PR).
O diretor de Fiscalização do BC voltou a explicar toda a operação que, segundo ele, ainda não foi entendida. Ele confirmou que o mercado futuro estava travado e que quem estava vendido não conseguia comprar. "Para o Banco Central o pior era perder mais reservas naquele momento", afirmou Alvarez, lembrando que a vantagem no mercado futuro é justamente o fato das operações serem liquidadas em reais.
Alvarez garantiu que o banqueiro, no caso do Marka, Salvatore Cacciola, não teve ganho financeiro com a operação. "O BC estancou o risco do prejuízo dele e assumiu esse risco", disse Alvarez. O diretor explicou que, a partir do momento que o BC assumiu a operação na BM&F, pegou ajustes diários, que foram contabilizados como despesa. Na data da liquidação, o BC bancou a variação do dólar desde o dia em que assumiu as operações até a cotação da data. No caso do Marka, as operações foram feitas nos dias 14 e 19, envolvendo 12.650 contratos. No caso do Fonte Cindam o BC assumiu 7.900 contratos no dia 14.

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