BC resiste a acerto com Amin sobre Besc
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Gustavo Freire 
Brasília, 02 (AE) - O governador de Santa Catarina, Esperidião Amin, do PPB, partido aliado ao governo federal, deixou hoje a sede do Banco Central sem conseguir um acordo sobre o Banco do Estado (Besc). Amin busca um acerto que permita a liberação de recursos oficiais e a manutenção do controle estatal sobre o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). "A privatização é o veio da pedra. Estamos tentando encontrar um caminho diferente do veio da pedra", disse o governador.
A manutenção do impasse depois de dois dias de negociações entre o governador e os diretores de Reestruturação dos Bancos Estaduais, Paolo Zaghen, e de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, trouxe, no entanto, um ingrediente de risco. Havia um compromisso de que o balanço de dezembro do ano passado do Besc tinha que ser publicado até a próxima terça-feira. O problema é que os dados do balanço não são animadores. "Os números são piores do que os de outubro de 1997", disse o governador a jornalistas.
Naquela ocasião, a equipe do BC já calculava que o banco necessitava de um aporte de capitais de aproximadamente R$ 115 milhões para poder andar com suas próprias pernas. "Sabemos agora que são necessários mais R$ 50 milhões de cada uma das partes envolvidas", disse Amin, visivelmente desapontado. A publicação do balanço sem o acordo abriria espaço para uma intervenção do BC no banco catarinense. O governador, no entanto
enfatizou inúmeras vezes: "O correntista do Besc não terá dificuldade alguma. Não haverá nada. O presidente (Fernando Henrique Cardoso) me garantiu", disse.
Para evitar o pior, o BC e o governador optaram por empurrar o prazo final da publicação do balanço para 6 de agosto. "Espero que antes de 6 de agosto já tenhamos chegado a uma conversa conclusiva", afirmou Amin. A conclusão, no entanto, tem sido prorrogada pelos desejos antagônicos do governador de manter o controle do banco e o do BC que quer passar para a iniciativa privada a responsabilidade pela gestão da instituição financeira oficial estadual. "Todo mundo sabe que o BC dá preferência para a privatização", afirmou o governador. Ele, no entanto, acha que um banco estatal atende melhor os anseios da população de Santa Catarina. "Tem mais a ver com o nosso perfil", disse.


