Brasília, 20 (AE) - O chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin) do Banco Central, Daso Coimbra, anunciou hoje a redução do número de dealers da instituição no mercado de câmbio, de 48 para apenas 25. A medida faz parte do esforço feito pela autoridade monetário no sentido de conferir uma maior transparência em suas relações com estas instituições que operam em seu nome no mercado e, com isso, evitar o surgimento de denúncias de informação privilegiada com as relacionadas a mudança do câmbio feita em janeiro último.
A mudança, de acordo com as explicações dadas por Daso em entrevista coletiva concedida no início do noite, entrará em vigor no próximo dia 1º de junho, quando os atuais 48 dealers serão descredenciados pelo BC. As novas instituições financeiras que serão usadas pela autoridade monetária em suas intervenções no mercado de câmbio, segundo o chefe do Depin, serão escolhidas antes do 1º dia de junho e a escolha será comunicada por telefone a cada dessas instituições.
Justificando a mudança, o chefe do Depin disse que era "difícil" trabalhar com 48 operadores na mesa. "Queremos operar de uma forma correta", afirmou.
Os 25 dealers serão escolhidos com base em critérios agora explicitados em numa carta-circular do próprio Depin. "Os critérios são basicamente os mesmos. Só os estamos explicitando", disse o chefe do Depin.
Estes critérios são o relacionados ao volume de câmbio negociado no mercado interbancário (peso 2,5), das operações de câmbio vinculadas a operações de comércio exterior (peso 2,5), de títulos da dívida mobiliária federal com cláusula de correção cambial negociados pela instituição (peso 1), de contratos de câmbio no segmento financeiro (peso 3) e a qualidade do relacionamento da instituição com o BC (peso 1).
As instituições escolhidas serão avaliadas com base no comportamento observado ao longo de seis meses. A primeira escolha, no entanto, levará em conta apenas as informações relativas ao período entre 19 de março e 19 de maio. Com isto, a autoridade monetária deixará de considerar o comportamento das instituições financeiras no período da mudança do regime cambial em janeiro deste ano.
O chefe do Depin esclareceu que, ao final de seis meses, será promovido um rodízio nos dealers e, no mínimo, três instituições serão trocadas. Serão retiradas, de acordo com Daso
aquelas que apresentarem o pior nível de desempenho de suas atividades como dealer no período de seis meses.
As medidas anunciadas hoje complementam outra anunciada no último dia 6 de maio. De acordo com Daso, o BC ficou obrigado por estas medidas a sempre operar no mercado por meio destes dealers. A autoridade monetária, de acordo com as decisões anunciada pelo diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, também ficou obrigado a ofertar a pelo menos cinco dealers qualquer operação de compra e venda de moeda estrangeira.
O diretor de Política Monetária chegou a dizer no momento do anúncio destas medida que, se existisse na época, seria impossível realizar a operação de compra de contratos de dólar futuro dos bancos Marka e Fonte Cindam que são atualmente investigadas pela Justiça e o Senado.

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