BC reduz juro básico de 45% para 42%
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 24 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, reduziu hoje de 45% para 42% ao ano a meta da Taxa Selic, ou seja, a taxa com que o Banco Central vai buscar nas operações com o mercado a partir de amanhã (25). A taxa anterior estava em vigor desde o dia 5 de março. O anúncio da redução dos juros foi feito pelo diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo.
De acordo com o diretor, o presidente do BC usou da prerrogativa dada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião realizada no dia 4 de março, que indicou um viés descendente para a taxa de juros.
Figueiredo citou pelo menos dois motivos principais para reduzir a taxa de juros. Primeiro, segundo o diretor, houve uma melhora na expectativa inflacionária. "Também houve uma melhora
substancial, no ambiente, tanto interno quanto externo", declarou Figueiredo. Contribuiu ainda para a decisão do BC, o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, realizado na última terça-feira.
A redução da taxa de juros, anunciada pelo diretor do BC no início da noite, já tinha sido admitida por Armínio Fraga pela manhã, no depoimento feito na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) sobre o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O presidente do BC reconheceu para os senadores que havia espaço para a redução dos juros. Segundo Fraga as taxas de juros no mercado futuro já tinham caído de 60% para 35% para os contratos de seis meses.
O presidente do BC também explicou para os senadores que não há espaço, no momento, para o relaxamento das políticas monetária e fiscal. O objetivo principal do BC continua sendo a taxa de inflação baixa, "o que requer políticas monetária e fiscal sólidas", disse Fraga.
Na avaliação do diretor de Política Monetária do BC todos os índices que medem a inflação no País estão caindo. Ele admitiu que a inflação teve um pico mas que, devido à queda da atividade econômica, faltou demanda e, sem compradores, os preços não se sustentaram.
Também com relação à taxa de câmbio, Figueiredo sustentou que ela é hoje menos volátil, o mesmo acontecendo no mercado externo.
Sinais - Com tantos sinais positivos, disse Figueiredo, o BC tinha todas as condições para tomar a decisão de reduzir os juros sem comprometer o objetivo principal, que é a de manter a inflação baixa." Em nenhum momento o Banco Central deixará o País ter uma atividade econômica pior do que a necessária", disse.
O diretor do BC classificou o leilão de papéis do Tesouro "um marco importante". Segundo Figueiredo, a demanda por papéis foi 14 vezes superior à oferta. Com isso, o BC acredita que foi dado o primeiro passo para a mudança do perfil da dívida. Figueiredo afirmou que, do ponto de vista do prazo (em média sete meses) o perfil da dívida interna é adequado no momento.
O mesmo não ocorre, na sua opinião, com relação ao índice. "O perfil adequado para a dívida é em taxas prefixadas", declarou, explicando que os papéis prefixados sofrem menos o impacto de choques internos e externos, além de possibilitar ao Banco Central a aplicação de uma política monetária mais ativa.
Prefixados - De acordo com o diretor, o governo, aos poucos, tantará mudar o perfil da dívida para papéis prefixados. A programação para a colocação de títulos do Tesouro Nacional com esse perfil já está traçada.
Cuidadoso, Figueiredo adiantou que o governo jamais será extremamente agressivo na colocação de títulos junto ao mercado. " Não vamos colocar o carro na frente dos bois", disse. A próxima reunião ordinária do Copom está marcada para o dia 14 de abril. Até lá o presidente do BC poderá usar da prerrogativa de reduzir a taxa de juros.
Para aumentar a taxa de juros ou mudar o viés, só o próprio Comitê de Política Monetária poderá decidir, em reunião ordinária ou convocação extraordinária.


