Rio, 08 (AE) - O Banco Central conseguiu implementar nas últimas semanas a estratégia de diminuir suas intervenções no mercado aberto. Um balanço feito pelo chefe do Departamento de Mercado Aberto, Eduardo Nakao, revela que o Banco Central ficou nove dias sem atuar em novembro. Até outubro, a instituição balizava diariamente os negócios com taxas de juros ao financiar os bancos pela manhã. A estratégia foi mantida em dezembro. Até o hoje, o BC interveio apenas uma vez para financiar o sistema.
"O governo quer conceder ao mercado maior liberdade para zerar suas posições", explicou Nakao durante a divulgação de nota à imprensa. A intenção é dar menos previsibilidade sobre o volume de dinheiro em circulação e, com isso, permitir uma maior oscilação na taxa de juros ao longo do dia. Esse movimento teria como impacto também um maior volume de negócios no mercado secundário.
O Banco Central começou a preparar terreno em novembro ao equilibrar a quantidade de dinheiro no sistema. O relatório mostra que saíram do sistema aproximadamente R$ 14 bilhões em operações de financiamento diárias, mais conhecidas como "go around" pelo mercado financeiro. O Banco Central comprou das instituições R$ 24,4 bilhões, enquanto as operações de empréstimo somaram R$ 10,3 bilhões.
"Nossa intenção é diminuir e alterar a forma de atuação", explicou Nakao. As medidas anunciadas no final de novembro pelo governo estabelecem que o volume de recursos em circulação no sistema será regulado também por meio de leilões de títulos públicos e não apenas com reservas bancárias.
O balanço do Departamento de Mercado Aberto indica ainda que as operações com títulos públicos em novembro resultaram no ingresso líquido de R$ 1,2 bilhão na economia. Isto porque o Banco Central resgatou o equivalente a R$ 1,9 bilhão em títulos, enquanto o Tesouro emitiu R$ 700 milhões nos diferentes tipos de papéis oferecidos ao sistema. Nakao afirmou que a estratégia do governo é aumentar a participação dos títulos emitidos pelo Tesouro na dívida mobiliária em poder do mercado. Hoje, o Tesouro responde por 82,42% da dívida de R$ 381,6 bilhões.
Vencimentos - A nota divulgada hoje revelou que até fevereiro estão vencendo 23,46% do estoque da dívida mobiliária em poder do mercado financeiro. A previsão é de que o montante some R$ 33,9 bilhões em dezembro, R$ 22,1 bilhões janeiro e R$ 33,6 bilhões em fevereiro. Em novembro, o prazo médio dos títulos leiloados pelo Banco Central era 10 meses e 19 dias, enquanto os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional tinha prazo médio de 9 meses e dois dias.

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