São Paulo, 22 (AE) - A economia chilena, que nos primeiros sete anos da década de 90 cresceu, em média, cerca de 8%, deve apresentar este ano uma desaceleração tão brusca que obrigou o Banco Central do Chile a rever a sua projeção para apenas 0,5%, ante estimativas preliminares que indicavam crescimento entre 2 5% e 3,8%.
Porém, essa taxa quase nula do Produto Interno Bruto (PIB) chileno este ano será possível somente se a expansão econômica do país no último trimestre de 99 chegar a pelo menos 4,5% ou 5%
já que no primeiro trimestre o PIB caiu 3,2% e espera-se para o segundo e terceiro trimestres resultados também negativos. No ano passado, o PIB chileno expandiu-se 3,4%, apesar de uma queda de 2,8% no último trimestre de 1998.
Esses dados mostram que, pela primeira vez desde os anos 80, o Chile está praticamente à beira do abismo da recessão. O BC chileno ajustou, também para cima, o déficit da conta corrente para um patamar entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões, o equivalente a 3,0% ou 3,5% do PIB. A inflação deve ficar em torno de 4,5% e o desemprego pular para quase 9%.
Embora as perspectivas para a economia chilena este ano não sejam realmente nada boas, tudo isso não é nada se comparada à "catástrofe" de 17 anos atrás, quando o PIB do país caiu 14,4%
a inflação anual subiu para quase 20% e a taxa de desemprego pulou para 30%. Mas essa comparação parece não atenuar o impacto dos resultados negativos dos últimos meses da atividade econômica chilena.
Por isso, o plano de reativação econômica anunciado na segunda-feira à noite pelo presidente Eduardo Frei pretende estimular o emprego, ajudar os setores sociais menos favorecidos e apoiar a pequena e média empresa. As vendas no comércio em maio, por exemplo, caíram 6,1%. Com esse resultado, são praticamente dez meses de atividade comercial negativa desde agosto do ano passado.
A atividade industrial no primeiro trimestre registrou queda de 5,1%, em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto que as vendas desse mesmo setor se retraíram 6,6%. Esses resultados foram os piores dos últimos oito anos.
Hoje (22), a taxa de câmbio fechou a 512,61 pesos por dólar, depois de ter despencado a 516,30 pesos no fechamento de segunda-feira. Com a redução da taxa de juro de 5,75% para 5% real ao ano, a tendência do dólar é manter-se estável nesse patamar. Analistas acreditam que a taxa de câmbio nos próximos dias pode subir ainda até 520 pesos por dólar, teto considerado relativamente sólido e difícil de ser ultrapassado a curto prazo. A redução da taxa de juros determinada pelo Banco Central no início da semana foi o décimo corte consecutivo desde outubro do ano passado, quando se encontrava em 14%.
Em 1990, por exemplo, o PIB havia crescido 3,6%. Um ano depois, a expansão econômica chilena chegava a 8%. No ano seguinte, o PIB já havia crescido 12,3%; em 1993, 6,9%; em 1994 chegou a 5,7%; em 1995 nem foi afetado pela crise mexicana e voltou a crescer 10,7%; e antes dos efeitos da crise asiática, entre 1996 e 1997, a economia chilena se expandiu 7,5% em média.
Esses resultados considerados impressionantes para uma país latino-americano praticamente foram interrompidos no ano passado
quando a economia do país cresceu 3,4%, a taxa mais baixa dos últimos dez anos. A forte desaceleração foi atribuída aos impactos das crises asiática e russa.

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