Brasília, 08 (AE) - Dentro do objetivo de reduzir as taxas de juros cobradas pelos bancos do consumidor final, o Banco Central baixou hoje de 75% para 65% o depósito compulsório exigido sobre os depósitos à vista.
Embora a mudança implique na liberação de R$ 3 bilhões ao mercado, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, disse que o maior efeito da medida será na redução dos custos dos bancos.
"Sem dúvida vai provocar uma queda nas taxas de juros na ponta final", garantiu. A liberação do dinheiro está prevista para o início de outubro.
Figueiredo explicou que essa diminuição dos custos ocorrerá porque o compulsório sobre os depósitos à vista é exigido em dinheiro enquanto o Banco Central não remunera os recursos. Ou seja, o dinheiro dos bancos fica parado no BC.
Com a liberação dos recursos, as instituições financeiras vão poder emprestar o dinheiro e ter ganhos nestas operações. O estoque do compulsório sobre os depósitos à vista no BC cai de R$ 22,5 bilhões para R$ 19,5 bilhões.
Na avaliação do diretor, a medida é tão importante quanto a redução de 20% para 10% no compulsório sobre os depósitos a prazo.
Adotada na semana passada, esta medida liberou R$ 10 bilhões ao sistema financeiro. Mas os analistas de mercado consideraram que a mudança não teria grandes efeitos nas taxas de juros. "As duas medidas são importantes e reduzem os juros", contestou Figueiredo.
Dentro de no máximo 30 dias ele prometeu concluir os estudos sobre a diferença entre as taxas de juros básicas, que são aquelas praticadas pelo próprio BC nas operações com o mercado, e os juros cobrados pelas instituições financeiras na ponta final. Ou seja, nas operações de empréstimos e financiamentos.
"Vamos ter o diagnóstico e propor um série de medidas para aproximar estas taxas", afirmou Figueiredo. Ele lembrou que algumas das propostas a serem feitas dependem de mudanças na legislação bancária que precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional.
Ao longo de um ano, segundo ele, o BC espera que haja "uma mudança muito substancial" nas taxas de juros cobradas pelos bancos.
Ele disse que, no caso dos depósitos à vista o compulsório exigido pelo Banco Central continua sendo um dos mais altos do mundo mesmo depois da redução de ontem. Portanto, admitiu, ainda há bastante espaço para a diminuição da exigência.
Sem querer fazer qualquer estimativa, no entanto, o diretor disse que a intenção dos estudos que estão sendo feito no BC é a de aproximar as taxas de juros cobradas no Brasil daquelas praticadas no mercado internacional. "O importante é que ao longo de um período as medidas terão um resultado definitivo e importante nas taxas de juros cobradas pelos bancos", concluiu.

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