BC reduz compulsório sobre depósito à vista e juro pode baixar14/Mar, 19:23 Por Soraya de Alencar Brasília, 14 (AE) - O Banco Central reduziu hoje, de 65% para 55%, o depósito compulsório sobre o depósito à vista. Isso significa que a parcela dos recursos que os clientes deixam em conta corrente e os bancos são obrigados a recolher ao BC será menor. Com a medida, o Banco Central terá que devolver entre R$ 3 e R$ 3,2 bilhões aos bancos. Recursos que as instituições terão a mais para emprestar livremente aos clientes. Segundo o diretor de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo, a redução do compulsório terá impacto direto nas taxas que os bancos cobram do consumidor. "Nós próximos dias já vamos sentir uma mudança", disse. Ele explicou que este efeito poderá ser sentido em todas as modalidades de crédito oferecidas pelo sistema bancário. Como o empréstimo pessoal e o cheque especial, por exemplo. Mas o maior impacto o BC espera que ocorra sobre as taxas cobradas no cheque especial por ser um crédito vinculado diretamente à conta-corrente. "O efeito sobre as taxas de juros cobradas pelos bancos vai ser importante", garantiu o diretor. Dos R$ 56 bilhões que os bancos dipõem para emprestar, R$ 5,5 bilhões são no cheque especial. "O cheque especial é R$ 5,5 bilhões e estamos liberando entre R$ 3 e R$ 3,2 bilhões", destacou o diretor. No último estudo sobre os juros cobrados pelos bancos, o Banco Central revelou que as taxas cobradas no cheque especial andaram na contramão das outras. Enquanto em todas as demais modalidades de crédito os juros haviam sofrido uma queda, no cheque especial elas subiram entre dezembro e janeiro. Passaram de 138,8% ao ano para 145,1%. O Banco Central vai liberar o dinheiro para os bancos entre os dias 28 próximo e 6 de abril. Mas o diretor revelou que as instituições deverão antecipar o aumento do crédito aos clientes. Segundo ele, uma vez sabendo que vão ter o dinheiro de volta, os bancos já começam a emprestar mais. Figueiredo garantiu, entretanto, que o volume de recursos a mais na economia é compatível com as metas de inflação. Ou seja, mesmo havendo mais dinheiro que gera mais crédito e, consequentemente, mais crescimento, o BC está convicto que fez a calibragem certa. Em outras palavras isso significa dizer que, mesmo com mais crédito disponível, o Banco Central descarta um aumento da demanda que leve a uma pressão sobre os preços. "A liberação não é tão grande que possa alterar as taxas de inflação", afirmou o diretor do BC. A última redução do compulsório sobre depósito à vista foi em setembro passado, quando caiu de 75% para 65%. Com a nova queda de hoje, Figueiredo disse que o Brasil ainda tem um percentual muito alto. Nos países desenvolvidos, segundo ele, este compulsório fica entre 15% e 25%. Em setembro, segundo o diretor, a redução do compulsório foi repassada na mesma proporção às taxas dos bancos. Figueiredo fez questão de desvincular a redução do compulsório de uma queda nos juros básicos da economia que serão decididos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima quarta-feira. E insistiu que se o impacto da decisão de hoje fosse importante, poderia ter efeito na economia como um todo. Mas o efeito, lembrou, será sobre as taxas cobradas pelos bancos. Fontes do mercado concordaram com o diretor. Mas lembraram que, hoje no Brasil, uma queda da inadimplência poderia ter maior efeito sobre as taxas cobradas pelos bancos do que a redução do compulsório. "O mercado de crédito trabalharia com mais confiança", disse um analista.

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