BC reduz compulsório e libera até RS$ 3 bi ao sistema financeiro
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 7 (AE) - A partir do dia 23 próximo, os bancos estarão recolhendo menos dinheiro ao Banco Central e, por isso, terão mais recursos disponíveis para emprestar ao público. Isso porque o BC reduziu hoje de 25% para 20% a alíquota do compulsório exigido sobre os depósitos a prazo. Com a medida, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, afirmou que serão liberados e injetados no sistema financeiro entre R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões.
Em apenas uma semana, o governo decidiu pela injeção de recursos no mercado entre R$ 6,5 a R$ 7 bilhões. Na semana passada, ao substituir o compulsório sobre os fundos de investimento pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), foram liberados R$ 4 bilhões. Na opinião de Figueiredo, com este dinheiro a mais na economia é possível que os bancos decidam cobrar taxas de juros menores nos empréstimos.
"Pode ter um impacto na cunha dos juros", afirmou. "Neste processo de situação mais estável e equilibrada tem sentido este dinheiro voltar a economia", garantiu.
Embora entre em vigor amanhã, a redução do compulsório só terá efeito a partir da próxima semana quando os bancos estarão calculando o total que têm a recolher ao BC. O ajuste, ou seja, o recolhimento, só será feito no dia 23. Com a nova alíquota, o compulsório sobre os depósitos a prazo volta ao nível anterior à crise cambial. Em março, esta alíquota foi elevada para 30% ao mesmo tempo em que os juros chegaram a 45%. Dois meses depois, o compulsório foi reduzido para 25%, patamar que permanecia até hoje.
Segundo explicou Figueiredo, além dos juros e da política de crédito, os compulsórios são o terceiro instrumento que o Banco Central dispõe para manter a estabilidade da economia. "Dada a estabilidade achamos por bem reduzir o compulsório", disse. Calculado sobre a média dos saldos diários dos depósitos a prazo nos bancos, este compulsório é recolhido em títulos públicos ao Banco Central.


