BC reconhece prejuízo em operações com dólar futuro, mas declara lucro
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Por Vânia Cristino e Soraya de Alencar 
Brasília, 09 (AE) - As perdas em reais que teve nas operações na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o Banco Central conseguiu compensar pela valorização de seus ativos em dólar. Este é o argumento principal que o presidente do BC, Armínio Fraga, apresentará ao Senado Federal para explicar a atuação da instituição nos mercados de dólar no mês de janeiro.
O Banco Central já informou ao Ministério Público no Distrito Federal que as perdas nas operações realizadas no mercado futuro chegaram a R$ 7,6 bilhões nos dois primeiros meses. Segundo o procurador da República no DF, Guilherme Schelb
o BC tinha perto de US$ 10,1 bilhões aplicados na BM&F no dia 15 de janeiro. No ofício encaminhado ao procurador, o BC garantiu que as perdas financeiras sobre as posições vendidas na BM&F foram superadas pelo ganho da valorização do dólar sobre os ativos cambiais do País. Segundo o procurador, os ativos cambiais informados pelo BC, da ordem de US$ 39 bilhões, são basicamente as reservas internacionais do País. No final de janeiro, de acordo com dados já divulgados pelo BC, as reservas internacionais estavam em US$ 36,14 bilhões no conceito de liquidez internacional, que leva em consideração os créditos que o País tem a receber no médio e longo prazos.
Considerando que o País tinha ativos cambiais em torno de US$ 39 bilhões, em reais isso correspondia a R$ 46,8 bilhões considerando-se a cotação de R$ 1,21 vigentes antes da desvalorização da moeda nacional.
Com a cotação da moeda dos Estados Unidos em R$ 2,00, estes mesmos ativos foram valorizados para R$ 78 bilhões. O que significa uma diferença de R$ 31,2 bilhões. Estes cálculos foram feitos por técnicos do Banco Central, mas ressaltando que a cotação de R$ 2,00 foi apenas uma hipótese.
No mesmo ofício ao Ministério Público, o BC também alegou que, baseado na Lei 4595, tem competência para intervir no mercado de moeda estrangeira fazendo operações de compra e venda para regular a cotação.
As informações do BC foram prestadas ao procurador por causa do Inquérito Civil Público instaurado para investigar a atuação do BC e a veracidade da denúncia dos deputados Milton Temer (PT-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), de que o Banco do Brasil teria tido um enorme prejuízo na operação na BM&F.
"A investigação provou que não foi o Banco do Brasil que teve o prejuízo, mas sim o Banco Central", afirmou o procurador, explicando que o BB apenas agiu em nome do BC no mercado futuro de dólar. O Ministério Público também quer saber a razão dos lucros, obtidos pelos bancos privados, em janeiro. Na verdade, o objetivo dos procuradores é constatar se houve ou não informação privilegiada sobre a mudança da política cambial.
Para isso o Ministério Público já obteve, da Justiça Federal, a autorização para a quebra do sigilo das operações da BM&F e do Banco do Brasil. O prazo para a resposta é de 15 dias. O procurador Guilherme Schelb afirmou que, embora não seja o objetivo específico, a operação feita pelo BC com o Banco Marka e Fonte Cindam também será investigada.


