BC quer voltar a lançar papéis no mercado japonês neste semestre
no período mais grave da crise cambial vivida pelo País, o BC foi obrigado a dar este hedge por causa de crise de confiança no setor bancário. "Havia o temor de crise sistêmica", afirmou. E lembrou que as empresas que tinham dívidas em dólar saíram a procura de ativos na mesma moeda. Com isso, elas estavam tentando reduzir seus prejuízos. Mas, como não havia dólar disponível no mercado, elas acabaram pressionando o câmbio nas tentativas de comprar a moeda americana. "Neste quadro, nós tínhamos que entrar oferecendo hedge", disse. Isto foi feito com a venda das Notas do Banco Central da Série Especial (NBC-E), que são corrigidas pelo câmbio.Por Soraya de Alencar e Gustavo Freire Brasília, 10 (AE) - Até o final deste semestre, o Brasil pretende lançar entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões em títulos no mercado japonês. Com o lançamento, segundo explicou o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, o Brasil quer ter mais uma opção de captação no exterior - além dos mercados de dólar e euro -, ao mesmo tempo em que poderá explorar o potencial de recuperação que a economia japonesa vem apresentando depois de um longo período de estagnação. Outro objetivo do lançamento é firmar posição naquele mercado. Recentemente, a Argentina e o México também fizeram emissões no Japão. Até hoje, o Brasil só fez lançamento de papéis no Japão uma vez. Foi em 1996, quando foram captados US$ 281 milhões pelo prazo de cinco anos. Este título vence em março do próximo ano. Gleizer explicou que o mercado japonês funciona de forma bastante diferente dos outros, pois sua principal característica é a venda dos papéis no varejo. O diretor confirmou que a intenção do governo, este ano, é fazer emissões entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões este ano. O suficiente para amortizar US$ 3,9 bilhões em vencimentos públicos e, ainda, fazer um "colchão" em torno de US$ 2 bilhões. No caso específico do Japão, a emissão será para captação de dinheiro e para ter uma referência de rendimento naquele mercado. Gleizer afirmou que a idéia, no entanto, é continuar fazendo troca de dívida velha por nova. Mas em melhores condições de pagamento. Direto - Diferentemente das estimativas do mercado, que prevêem que os investimentos diretos este ano ficarão em torno de US$ 22 bilhões, o diretor de Assuntos Internacionais do BC aposta que o volume de ingressos destes ano ficará no mesmo patamar do ano passado que chegou a US$ 29,97 bilhões. "Não vejo por quê os investimentos diretos serem menores este ano", afirmou. "Acredito que ficará no mesmo patamar do ano passado." Gleizer ressaltou também a melhoria do perfil dos capitais externos que estão ingressando no Brasil e disse que esta melhora tem tornado o Brasil mais forte para enfrentar crises no cenário externo. E o crescimento no volume do investimento direto, segundo ele, é uma prova disso. Até o final do ano, a intenção do Banco Central é registrar os ingressos destes investimentos eletronicamente. Com isso, o País poderá saber instantaneamente o destino dos recursos que estão entrando e quais os setores que estão recebendo mais dinheiro. O diretor ainda comentou que a demanda do mercado por hedge (proteção) contra a variação cambial oferecido pelo Banco Central BC tende a diminuir ao longo do tempo. Ou seja, os bancos deverão recorrer menos ao BC para a compra de dólares nos momentos em que houver qualquer instabilidade. Isto ocorrerá, segundo Gleizer, porque o próprio sistema financeiro, já consegue criar instrumentos alternativos de proteção contra as mudanças na taxa de câmbio. Ele ressaltou que





