São Paulo, 21 (AE) - O Banco Central está estudando um conjunto de medidas para reduzir o custo da intermediação financeira e aumentar a competitividade do sistema. De acordo com o presidente do BC, Armínio Fraga, a intenção é diminuir os entraves que provocam um custo elevado para o tomador de crédito (pessoas físicas e empresas), incluindo a carga de impostos sobre empréstimos.
O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, disse que "há um processo de estudo de um monte de medidas". Não há tempo previsto para o anúncio, mas no médio e longo prazos elas devem incluir a redução dos empréstimos compulsórios, segundo o diretor do BC.
Hoje, durante seminário organizado pela InterNews, no Hotel Meliá, Fraga e Figueiredo voltaram a defender o sistema de metas de inflação, que o governo vai adotar oficialmente a partir do fim de junho.
Fraga explicou que o governo vai adotar uma espécie de banda de inflação. "Vamos ter um intervalo de confiança, onde tenho uma certa tolerância", informou, concordando, em seguida, que esse intervalo pode ser classificado de banda.
Já o diretor de Política Monetária, usou a expressão "banda", esclarecendo que o número a ser indicado como meta deverá ter um intervalo definido de variação "para cima ou para baixo".
Fraga explicou que as metas que serão anunciadas pelo ministro da Fazenda em junho terão validade de 2,5 anos. Figueiredo deu a entender que será adotada uma meta para os últimos seis meses deste ano e também para um período mais longo de tempo.
Críticas - No mesmo encontro, o ex-presidente do BC Ibrahim Eris criticou a adoção do sistema por considerá-la sem sentido. "Suspeito que é desnecessária a adoção desse modelo", disse ele, afirmando que concordava com as preocupações expressas por outros ex-presidentes do BC, Gustavo Franco e Gustavo Loyola.
"Em time que está ganhando não se mexe; o Banco Central tem credibilidade e confiança da sociedade", afirmou, ponderando que "surge a possibilidade de perda da credibilidade se a meta não for alcançada". "Não vejo porque a ansiedade do Banco Central em assumir novos compromissos com a sociedade", ponderou Eris.
Fraga não ouviu os comentários de Eris, mas aproveitou o seminário para responder aos questionamentos apresentados por Franco e Loyola no dia anterior. Segundo Fraga, ele conversou com Franco pelo telefone ontem de manhã. "Ele fez comentários e não críticas ao modelo de metas de inflação", observou Fraga.
Uma das preocupações de Franco, segundo o atual presidente do BC, são infundadas. "O sistema de metas de inflação é um mecanismo que olha para a frente", argumentou Fraga. "Esse modelo tem a flexibilidade necessária para estabilizar as expectativas e por isso ele não vai trazer indexação."
Eris também argumentou que o BC pode ser transparente de outras formas, simplesmente explicando o que está fazendo sem comprometer-se com um número. "Se eu fosse o presidente do BC, desistiria da idéia", disse.
Figueiredo rebateu a crítica da transparência dizendo que na ótica da atual diretoria do BC "transparência é a sociedade saber exatamente qual é nosso objetivo (do governo)".
Argentina - Fraga e Figueiredo voltaram a afirmar que a intraquilidade na Argentina é passageira e o modelo econômico do país vizinho é consistente e vai passar bem pelas atuais turbulências. O fluxo de capitais externos para o Brasil não foi afetado, segundo o diretor do BC.
Fraga disse que o câmbio flutuante e uma boa intermediação financeira ajudam a afastar capitais voláteis. Um país não pode ancorar seu desenvolvimento nesse tipo de recurso, embora no curto prazo eles sejam importantes.

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