BC quer fim de limite de dólares para intervir no câmbio
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Nélia Marquez 
Brasília, 8 (AE) - O diretor da área Internacional do Banco Central, Daniel Gleizer, disse hoje que o governo pretende negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) o fim do limite em dólares para intervenção no câmbio. "Isso é uma possibilidade", disse. Gleizer participou, junto com a diretoria do Banco Central, de almoço com o ministro da Fazenda, Pedro Malan. "Ele estava afastado havia duas semanas e estávamos colocando em dia uma série de tópicos", disse.
A negociação com o FMI, segundo Gleizer, foi discutida durante o almoço em termos de divisão de tarefas e definição de reuniões. Sobre o limite de intervenção no câmbio, Gleizer disse que o fato de o Brasil não ter utilizado os limites do FMI teve impacto importante sobre a percepção do mercado de que o País tem uma política monetária bem definida.
Segundo ele, o assunto da intervenção vai ser discutido com o Fundo em conjunto com a discussão das metas de inflação e de crédito interno líquido que, de acordo com Gleizer, é a forma tradicional como o FMI faz suas projeções de política monetária. Ele disse que o sistema de metas de inflação é uma novidade operacional na forma de desenhar a política monetária.
De acordo com o diretor do BC, na transição do sistema atual, em que a avaliação do Fundo é feita pelo crédito interno líquido, para o de metas de inflação, é possível que ainda haja metas para esse indicador ou base monetária ou agregados monetários.
No crédito interno líquido está implícita a projeção de reservas internacionais e, por isso, discute-se a questão de intervenção no câmbio. A questão fundamental, para ele, é de que forma será desenhado um programa que utiliza a idéia de metas inflacionárias e fazê-lo consistente com qualquer forma de acompanhamento de agregados monetários.
Ele disse que essa questão da intervenção no câmbio foi adotada num momento de transição do câmbio fixo para o flutuante.
Sobre a questão fiscal, que também foi discutida no almoço, foi feita a avaliação de que mesmo eliminando as receitas extraordinárias, o desempenho das contas públicas foi bom no primeiro trimestre. Ou seja, independentemente dessas receitas, as metas estão sendo cumpridas.


