BC projeta queda da inflação no início do ano, revela ata do Copom
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Soraya de Alencar e Sílvia Faria 
Brasília, 27 (AE) - O Banco Central trabalha com a expectativa de uma queda da inflação no início deste ano, sendo que um movimento mais pronunciado de redução é esperado para ocorrer em fevereiro. Pois a inflação de janeiro ainda será contamindada pelos problemas com abastecimento de frutas e verduras causados pelas chuvas na região Sudeste e pela sazonalidade do início do ano escolar.
As informações constam da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje, e que abrem perspectiva para uma futura redução das taxas de juros que hoje estão em 19% ao ano. Uma pesquisa feita pelo BC junto a 70 instituições detectou que as projeções dos bancos também indicam queda da inflação em fevereiro. No caso do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), usado no sistema de metas de inflação, as estimativas são que feche janeiro em 0,70%, mas fique em 0,51% no próximo mês. O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) seria 1,20% este mês e 0,60% no próximo.
Mas uma redução dos juros, segundo apostam fontes de mercado, não deverá ocorrer no curto prazo. Analistas do mercado financeiro trabalham com a manutenção das taxas de 19% ao ano no primeiro trimestre. Isso por dois motivos: o primeiro porque o BC deixou claro na ata que o atual nível de juros permite "com elevada probabilidade o cumprimento das metas para a inflação em 2000 e 2001".
O outro aspecto considerado pelas fontes do mercado refere-se aos três fatores destacados no documento como "riscos" para a evolução futura da inflação. Além do comportamento dos preços internacionais do petróleo que, no momento, "estão pressionados pelo rigoroso inverno nos Estados Unidos", há "a tendência gradual de restrição da política monetária nos Estados Unidos, Inglaterra e área do euro ao longo do ano" e também "a evolução dos preços de tarifas públicas ao longo do ano com potencial de exercer pressões sobre a trajetória de inflação".
Estas preocupações do BC, no entanto, são amenizadas por outras fontes do governo. Eles asseguram que uma elevação de 0 25% nas taxas de juros americanas não teria qualquer problema para o Brasil. E embora uma fonte do Banco Central tenha garantido que a manutenção das taxas em 19% na última reunião foi por causa da preocupação com o impacto do reajuste das tarifas sobre a inflação do segundo semestre, em outras áreas do governo estima-se que este impacto será muito menor que o ocorrido no ano passado.


