Brasília, 29 (AE) - O Banco Central prevê, num cenário conservador, um aumento médio de 9,2% para os chamados preços administrados, que incluem as tarifas de serviços públicos como energia e telecomunicações. De acordo com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, realizada no último dia 15 de dezembro e divulgada hoje pela instituição, o principal risco identificado para o cumprimento das metas de inflação traçadas para o próximo ano é o aumento destes preços. "No cenário básico analisado, supôs-se, conservadoramente, aumento médio de 9,2% durante o ano 2000, o que significa impacto direto de 2,3 pontos percentuais sobre a inflação do próximo ano", argumentam os diretores do BC no documento.
Na última reunião do Copom a taxa de juros Selic (básica para o mercado financeiro brasileiro) foi mantida em 19% ao ano, sem indicação de viés. Para os diretores da Autoridade Monetária
os indicadores de preços no atacado e ao consumidor, na época da reunião, já mostravam alguma desaceleração, mas a queda da inflação medida pelo IPCA de outubro para novembro foi considerada "ainda modesta", o que justificou a manutenção da Selic em 19% ao ano.
As incertezas quanto à evolução dos preços administrados no próximo ano também justificou a manutenção da taxa. "Este fator continua sendo a principal fonte de preocupação, tanto pelos seus efeitos diretos sobre as taxas de inflação do ano 2000 quanto pelos seus efeitos indiretos sobre os demais preços da economia", diz a ata do Copom.
Na avaliação dos diretores do BC explicitada na ata do Copom, depois da sucessão de choques sazonais e reajustes dos preços administrados, que provocaram aumentos no nível de preços
é esperada uma queda da taxa de inflação para os próximos meses. Na avaliação do BC, a demanda continua recuperando-se "apenas lentamente" e a taxa de câmbio vem apresentando valorização.
Partindo da hipótese de manutenção da taxa Selic em 19% ao ano, o BC simulou várias trajetórias para a inflação brasileira no próximo ano "de acordo com o conjunto de modelos disponíveis e os respectivos intervalos de confiança". Com base nestes exercícios de simulação, o BC acredita que existe a probabilidade "de quase 50%" de, no segundo e terceiro trimestres de 2000, a inflação ficar um ponto percentual acima da trajetória central determinada na quarta revisão do acordo de ajuda financeira acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com a quarta revisão os índices centrais de inflação definidos para estes dois trimestres são de 7% e 6,5%, respectivamente. No entanto, os diretores do BC ressaltam que, considerando-se estas mesmas simulações, conclui-se que a manutenção da taxa de juros no nível atual permite atingir as metas para inflação em 1999, 2000 e 2001.
Petróleo - A diretoria do BC manteve a perspectiva de aumento no preço internacional do petróleo no período de inverno nos países industrializados, mas ressalta que deve haver um posterior recuo e estabilização destes preços na faixa de US$ 20 a US$ 22 por barril do tipo brent.
Conforme pesquisa do BC, também detalhada na ata da última reunião do Copom divulgada hoje, as expectativas dos analistas para os principais índices de preço prevêem um recuo para a taxa da inflação em dezembro, justificado pelo esgotamento dos efeitos da entressafra agrícola. Com relação ao ano 2000, as projeções para a variação do IPCA situam-se no intervalo de 6,2% a 7%. O IPCA é o índice utilizado pelo governo junto ao FMI para determinar as metas de inflação para os próximos anos.

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