BC prepara programas especiais de fiscalização em bancos
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Soraya de Alencar e Vânia Cristino 
Brasília, 23 (AE) - O Banco Central (BC) decidiu montar programas especiais de fiscalização e, segundo admitiram assessores, está fazendo uma varredura em algumas instituições financeiras, a partir de denúncias e a pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o sistema financeiro e do Ministério Público (MP).
"É uma varredura sim", confirmou um assessor do presidente do BC, Armínio Fraga Neto. O alvo principal do BC são as operações das instituições em dólar, principalmente aquelas feitas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). O objetivo é verificar quem mudou a posição perto da desvalorização do real - quais as instituições que tinham dívidas na moeda norte-americanas e passaram à condição de compradas em dólar. O que significa ter créditos a receber na moeda. Fontes do BC garantem que foram constatados casos.
A partir de denúncia do deputado Aloízio Mercadante (PT-SP), que afirma que nove instituições tiveram ganhos com a desvalorização, a CPI encaminhou o pedido para o BC fazer esta fiscalização.
Com o episódio Marka-FonteCindam, Fraga Neto, quer instituir mecanismos que permitam o aperfeiçoamento da supervisão prudencial. O que significa detectar que uma instituição pode ter problemas antes deles virem à tona. A primeira medida neste sentido está prevista para segunda-feira (26), quando os diretores de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo, e de Normas do BC, Sérgio Darcy, vão à BM&F discutir mecanismos que impeçam a repetição do caso Marka. Somente naquela bolsa, o banco tinha operações que correspondiam a 20 vezes o valor do patrimônio.
Para Fraga Neto, é essencial que possa se verificar os riscos de uma instituição de forma consolidada - ter a análise global das atuações dela nos mercados à vista e de futuro. Não individualmente, em cada segmento do mercado.


