Brasília, 23 (AE) - O governo brasileiro fará uma nova captação de bônus da República no mercado europeu. O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Daniel Gleizer, informou à AGÊNCIA ESTADO que, se as condições de mercado forem favoráveis, o novo lançamento de eurobônus ocorrerá ao longo das próximas semanas.
Segundo ele, o volume da captação e a instituição financeira que coordenará a nova emissão ainda não foram definidos. A emissão ocorrerá somente depois do período de férias na Europa e do "Labor Day", feriado nos Estados Unidos no dia 6 de setembro. "Temos que esperar o final das férias e o feriado americano", afirmou o diretor do Banco Central.
Segundo ele, há demanda internacional pelos títulos brasileiros. "Há muito interesse nesses papéis e estamos analisando as propostas", afirmou Gleizer. O governo também ainda não definiu o prazo dos novos bônus.
Gleizer explicou que as propostas das instituições vêm acompanhadas com uma espécie de "menu", que contém uma lista dos investidores estrangeiros que já demonstraram interesse no lançamento. É com base nessas informações que está sendo desenhada a estratégia do lançamento.
Tranquilidade - O diretor adiantou também que, além do novo lançamento em euro, serão feitas outras emissões até o final do ano. "Vamos voltar algumas vezes no segundo semestre"
garantiu ele, admitindo que esses lançamentos dão uma "tranquilidade maior" e "reforçam a confiança do investidor estrangeiro nos fundamentos macroeconômicos da economia e na capacidade de pagamento e financiamento externo do País".
O diretor citou com exemplo a emissão de 200 milhões de euros realizada, na semana passada, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "É uma sinal positivo, que o Brasil continua colocando papéis e continua havendo interesse e demanda."
Gleizer acredita que a preocupação hoje com a economia brasileira é mais do "mercado interno do que externo". O governo já fez este ano dois lançamentos de bônus no exterior. A primeira captação da República em 99 foi feita em abril, quando foram emitidos, nos Estados Unidos, US$ 3 bilhões em bônus globais. Em julho, o Brasil voltou ao mercado internacional, dessa vez na Europa com uma captação total 800 milhões de euros.
Conjuntura - Para o diretor do BC, o Brasil vem conseguindo mostrar o seu esforço em melhorar as contas externas. Um prova disso, segundo ele, é a redução em US$ 26,84 bilhões da necessidade de financiamento externo (soma do déficit em transações correntes e os gastos com amortizações) de 99 para 2000: US$ 71 bilhões este ano contra US$ 44,1 bilhões no próximo ano.
Ele destaca também a redução das despesas com amortizações, que cairão US$ 24,9 bilhões de ano para o outro, passando de US$ 47,1 bilhões para US$ 22,2 bilhões. "Essa é uma mudança dramática, que passou despercebida quando o presidente Armínio Fraga divulgou as novas previsões do BC para o balanço de pagamentos de 99 e 2000", disse Gleizer.
Câmbio - O diretor não acredita que haja motivo para outra "bolha" esta semana no mercado de câmbio como a ocorrida na semana passada. "O BC já ofereceu hedge na segunda-feira para suprir a necessidade de dólar e não há razão para que se crie uma nova bolha."
Ele disse que a "bolha" no mercado de câmbio foi rompida com a atuação do BC na sexta-feira, que fez uma oferta extraordinária de R$ 3 bilhões de NBC-Es (títulos indexados à variação cambial) de seis meses."Como não houve demanda para todo o lote ofertado, ficou claro que era uma bolha e que não há razão para o dólar subir tanto", afirmou. "O impacto da atuação do BC foi muito positivo."
Segundo ele, o BC deixou claro também, com a sua atuação na sexta, que "tem um arsenal de medidas para tomar caso o comportamento de câmbio não esteja relacionado com a realidade". "Não há desespero", acrescentou.
Gleizer reforçou o discurso de outros integrantes da equipe econômica, afirmando que o movimento no câmbio verificado nos últimos dias estava descolado dos fundamentos macroeconômicos. "O importante é repetir que os fundamentos estão melhorando intensamente e rapidamente, e as melhoras são impressionantes", afirmou. "A correção está ocorrendo."

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