BC prepara mudança no rendimento da poupança
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Gustavo Freire 
Brasília, 11 (AE) - O governo deve anunciar em breve algumas alterações na fórmula que determina o rendimento das cadernetas de poupança. "Não queremos que a poupança seja muito rentável num mês e em outro, não", disse hoje o diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy. Mas ainda não há previsão de quando as mudanças serão anunciadas.
A idéia, segundo o diretor do BC, é deixar que o rendimento das aplicações em poupança fique mais "colado" no de outros títulos negociados no mercado. A discusão, lembrou Darcy, foi deflagrada por um pleito apresentado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Risco - Darcy informou também que está em estudo a adoção de regras que dificultem o aporte de recursos das instituições financeiras em fundos de investimento e risco. As idéias em discussão, segundo o diretor do BC, variam da simples proposição de impedir legalmente o repasse de recursos do banco para o fundo até determinar que um eventual repasse de recursos afete o limite usado para o cálculo do capital mínimo das instituições.
O diretor também disse que estão sendo estudadas outras medidas para impedir problemas nos fundos de risco, como os verificados durante a recente desvalorização do real. Uma das propostas em discussão é permitir que apenas investidores institucionais apliquem nesses fundos e os outros só entrem mediante apresentação de um patrimônio adicional ao seu investimento. "Queremos dar garantia ao investidor no caso de perda", disse Darcy.
Ele também comentou que considera necessário que a venda de produtos de risco seja feita de forma mais profissional, sem ser necessariamente colocada na rede, como é feito atualmente. O diretor também se mostrou favorável à idéia de que o investidor seja obrigado a assinar um termo de compromisso com o banco que comprove o seu conhecimento prévio das características do investimento de risco.
Darcy comentou que o BC deve tomar alguma decisão sobre esse assunto ao longo do mês de abril e tudo será feito de acordo com o trabalho que vem sendo desenvolvido em paralelo pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Queremos convergir com a CVM, fazer tudo no mesmo sentido", disse.


