Rio, 20 (AE) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, admitiu que o banco "agirá" se a taxa de câmbio comprometer a meta de 8% de inflação fixada para este ano. Ele não adiantou quais seriam as medidas a serem adotadas, mas lembrou que o papel da instituição é cuidar para que a meta seja alcançada. "Se por acaso a gente perceber que está havendo impacto na inflação que comprometa as metas, nós agiremos", afirmou o diretor.
Segundo ele, o governo tem instrumentos de política monetária para conter uma oscilação muito forte da taxa de câmbio. "O BC pode ofertar papéis cambiais ou, até mesmo, mexer nos juros, se considerar que a meta de inflação pode ser comprometida", explicou.
O diretor considerou que a desvalorização do real nos últimos dias não tem sustentação e citou como exemplo o efeito da venda de hoje de títulos cambiais no mercado financeiro. "Com apenas uma pequena oferta de papéis, o BC conseguiu que a taxa de câmbio baixasse rapidamente do patamar de R$ 2,00."
O diretor foi enfático ao afirmar que o governo não está disposto a ceder a pressões políticas. Ele lembrou que a estratégia da equipe econômica será a de mostrar para a sociedade o custo de qualquer pressão adicional, como a que vem sendo pedida pelos ruralistas.
Werlang ponderou que o governo não está preocupado com o contágio da desvalorização cambial nos preços ao consumidor. Segundo ele, o atual repique inflacionário reflete apenas o reajuste das tarifas públicas, que já era esperado pelo governo desde que foi elaborada a nova política de metas. "Não existe nenhuma indicação de pressão, a não ser a das tarifas públicas"
acrescentou o diretor durante entrevista na sede do Banco Central no Rio de Janeiro.
Combustíveis - O diretor descartou um novo aumento do combustível para os próximos seis meses. Werlang informou que a decisão de manter estável o preço do produto no Brasil não compromete a meta de superávit fiscal de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) firmada com o Fundo Monetária Internacional (FMI).
Com o congelamento de preço no mercado interno por um semestre, se o petróleo subir demais no mercado internacional, o governo reduzirá sua margem de remuneração no preço da gasolina e do diesel, diminuindo o valor da Parcela de Preço Específico (PPE). O saldo da PPE chegou a engrossar em US$ 300 milhões por mês o caixa de Tesouro no ano passado.

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