BC obtém apoio de senadores, mas não convence sobre Minas
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por César Felício 
Brasília, 19 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em encontro hoje com senadores, conseguiu derrubar as resistências dentro da base governista para a aprovação de um empréstimo de US$ 2,2 bilhões, que deverá ser votado amanhã (20) pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O empréstimo contava com a oposição do presidente da Casa, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Os senadores entendiam que o crédito estava vinculado a programas sociais e que governo federal pretendia desviar os recursos para a ampliação das reservas cambiais.
"Ele deixou claro que foi tudo um mal entendido, já que o empréstimo é garantidor, ou seja, não pode ser convertido para o real e serve para lastrear as reservas brasileiras", disse o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). De acordo com o senador, Fraga teria esclarecido que a única vinculação do crédito com a área social é que ele estabelece como condicionante para a liberação dos recursos determinados níveis de alocações orçamentárias para áreas sociais, como Educação e Saúde, o que já esta previsto no Orçamento do próximo ano. Segundo Arruda, com a reunião de hoje foram eliminadas as resistências para a tramitação do pedido. "Ele vai ser aprovado até porque uma eventual rejeição seria uma forte sinalização negativa para o mercado", disse o líder.
Fraga só não conseguiu convencer os parlamentares de Minas Gerais de que jamais pretendeu desaconselhar investimentos no Estado em recente viagem aos Estados Unidos. "Esta coisa não se elimina, vai ficar", disse o senador Francelino Pereira (PFL-MG), para quem "ninguém pode lutar com as montanhas de Minas". Adversário do governador Itamar Franco (PMDB) no estado
Francelino foi o único senador mineiro que compareceu ao encontro com Fraga. Ele foi um dos que aconselharam Fraga a desistir de viagem ao Estado onde receberia homenagem do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças.
Francelino deixou claro que o incidente ainda repercute e que os aliados do governo federal no Estado apóiam Itamar. "A solidariedade dos políticos mineiros é algo litúrgico, que não pode ser descumprido", disse. O senador José de Alencar (PMDB-MG), aliado de Itamar no Senado, não foi ao encontro, alegando que não podia se ausentar da sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O senador Arlindo Porto (PTB-MG) justificou a sua ausência afirmando que precisava comparecer a um enterro.


