Brasília, 28 (AE) - O Banco Central não conseguiu hoje vender nenhum dos títulos com correção cambial que ofertou ao mercado. A programação do leilão previa a venda de 300 mil NBCE (papéis com correção cambial) e 500 mil NBCA (título híbrido, com parte cambial e parte pós-fixado). O chefe do departamento de Operaçäes do Mercado Aberto (Demab), Eduardo Nakao, explicou, pela assessoria de imprensa do BC, que rejeitou as ofertas do mercado devido à grande dispersão de taxas apresentadas. De acordo com Nakao, o Banco Central não poderia sancionar taxas tão díspares, que confundem o mercado na formação do preço.
Na avaliação do chefe do Demab, o mercado não está precisando de papéis para hedge (proteção). "O mercado está fortemente vendedor de papéis para aproveitar a valorização do dólar e realizar lucro", declarou. Nakao explicou que isso está acontecendo porque a previsão do mercado é de valorização do real frente ao dólar no futuro. Para fevereiro, por exemplo, o dólar está cotado a R$ 1,89. Esta cotação é bastante inferior à taxa praticada atualmente. Já prevendo uma perda futura no carregamento desses papéis, o mercado, segundo Nakao, optou por negociar a sua posição, realizando lucros imediatamente. Daí a falta de demanda pelos papéis ofertados pelo BC.
As NBCEs (Notas do Banco Central, série Especial) foram ofertadas pelo Banco Central no final da manhã. O lote, com 300 mil papéis, já estava na carteira do BC. A data de emissão é de novembro do ano passado, para resgate em 20 de fevereiro de 2001. As NBCAs (Notas do Banco Central, série A) são títulos híbridos. No primeiro período, com prazo mínimo de 30 dias, o papel é corrigido pela variação cambial, mais juros préfixados de 6% ao ano. No segundo período, o título é pós-fixado, com correção pela taxa Selic, que é a taxa média dos títulos públicos federais.

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