Brasília, 22 (AE) - Pela sexta vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve, hoje, em 19% ao ano as taxas de juro básicas da economia.
Segundo explicou o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, "embora os fundamentos da economia tenham melhorado, algumas incertezas ainda persistem".
Apesar de insuficientes para uma mudança nos juros, estas melhoras fizeram o Copom voltar a lançar mão do viés de baixa.
Desde outubro o comitê não adotava viés. Com ele, o comitê indica qual a tendência dos juros.
Ao adotar o viés de baixa, o Copom sinalizou ao mercado que os juros já podem começar a cair.
A próxima reunião será realizada nos dias 18 e 19 de abril.
Segundo admitiu o diretor, até lá, "há uma razoável chance de mudança" das taxas.
O viés dá autonomia ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga, para fixar um novo patamar de juros sem a necessidade de uma nova reunião do Copom. Mas esta decisão é sempre no sentido do viés. Com o viés de baixa, Fraga tem o poder de reduzir os juros antes da reunião de abril.
Figueiredo explicou que as incertezas que impediram a queda dos juros hoje "poderão estar melhor quantificadas nos próximos dias".
Embora o diretor tenha se recusado a nominar estas incertezas, analistas de mercado admitem que uma delas pode ser a questão do petróleo. A reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) está marcada para o próximo dia 27. E somente neste encontro será decidido se haverá uma aumento da produção que leve a uma queda nos preços.
Na avaliação do economista Rogério Mori, do Banco Santos, a tendência é que o preço médio do petróleo este ano ainda fique muito acima dos US$ 18 o barril ocorrido no ano passado.
Por causa disso, segundo Mori, o governo ainda não esclareceu se será necessário fazer um novo reajuste no preço dos combustíveis.
Desde o último dia 1° está em vigor o novo preço dos combustíveis que sofreram um aumento de 7% por causa da alta do petróleo no mercado internacional.
Mori disse que o Copom optou pelo conservadorismo porque, embora os índices inflacionários estejam mostrando uma tendência de queda este mês, há a preocupação com a inflação de longo prazo.
"Isso ainda não está claro", afirmou o economista. Na avaliação de Luiz Rabí, do BicBanco, não seria surpresa uma queda nos juros. Ele lembrou que os principais fatores sempre elencados pelo BC como impeditivos à redução dos juros estão dissipados.
Segundo ele, o petróleo já mostra tendência de queda. E com a pressão dos Estados Unidos sobre Arábia Saudita, México e Venezuela, ele acredita que a produção aumentará. "O pior movimento ficou para trás", afirmou.
Além disso, na semana passada algumas agências melhoraram o rating do Brasil, o que facilita o acesso do País e suas empresas ao mercado internacional a um custo mais baixo.
Por sua vez, a inflação mostra enfraquecimento. Com os juros mais baixos Rabí via uma maior chance de recuperação na taxa de câmbio, que continua em queda.
Ao chegar à Fundação Getúlio Vargas, hoje à noite, para dar a aula inaugural sobre a tendência da economia brasileira, o presidente do BC não quis falar sobre a decisão do comitê.
"Quem comenta o Copom é o Luiz Fernando Figueiredo."
Por sua vez, o diretor disse que haverá mais explicações somente na ata da reunião, que será divulgada na próxima semana.
O Copom manteve inalteradas também as taxas cobradas pelo BC nos empréstimos concedidos às instituições financeiras. Elas continuam em 6% ao ano se o empréstimo for de um dia, 4% nas operações de até 15 dias e 2% nos empréstimos até 90 dias.

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