BC mais atuante deve conter preços, prevê Fipe
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 03 (AE) - A troca de comando no Banco Central deverá ter impacto positivo nos índices de inflação. A avaliação é de um dos coordenadores do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), Heron do Carmo.
O economista explica que, com novo presidente, Armínio Fraga, o mercado acredita que o BC terá mais agilidade para operar o câmbio e conter grandes oscilações da moeda. Isso significará uma desvalorização menor do real e atenuará o impacto do câmbio nos índices de preços.
Apesar dessa avaliação positiva, Heron pondera que a queda do dólar é favorável nas expectativas inflacionárias, mas, segundo ele, não se deve acreditar que o mercado vá ficar tão tranquilo daqui para frente.
Nas contas do economista, a perspectiva é de que o dólar estabilize-se entre R$ 1,60 e R$ 1,70. Para chegar a esse resultado, ele leva em consideração a inflação acumulada de 65 89% entre julho de 94 a janeiro deste ano. "É uma conta burra"
justifica Heron, mas que, a grosso modo, reflete o movimento da moeda nacional em relação à estrangeira.
Ela não considera os ganhos de produtividade da economia registrados no período e a oscilação das moedas. "O setor produtivo já está trabalhando com essa perspectiva de câmbio", observa o economista.
Heron adverte que, se o governo deixar o câmbio flutuar livremente, poderá correr o risco de ter de sustentar o piso da cotação da moeda estrangeira. "O mundo está volátil", afirma. O País deve acertar o lado fiscal para ficar menos exposto a qualquer crise, recomenda.
Apesar da tendência de alta da inflação, Heron está otimista. Ele diz que, mantido cenário atual, com a entrada dos recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), aprovadas as reformas e os credores internos mais tranquilos, o País deverá voltar atrair capital estrangeiro a essa taxa de juros. "O mundo tem muito dinheiro."


