Brasília, 23 (AE)- A assessoria de imprensa do Banco Central informou há pouco que a liquidação do Banco Crefisul não afetará o funcionamento normal das lojas Mappin e Mesbla, que pertencem ao controlador do grupo, o empresário Ricardo Mansur. De acordo com a assessoria de imprensa, o Banco tinha ações das duas lojas mas não era controlador de nenhuma delas. O Crefisul, de acordo com a assessoria, tinha 13 agências e 398 funcionários. A instituição tinha em depósitos à vista o equivalente a R$ 6 milhões e mais R$ 21 milhões em depósitos de poupança. As aplicações em depósitos à prazo somavam em janeiro último cerca de R$ 290 milhões e os investimentos em debêntures eram de R$ 90 milhões.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Luiz Carlos Alvarez, disse há pouco que o Banco Crefisul passou a ter dificuldade de liquidez, depois que os investidores institucionais resolveram não renovar mais suas aplicações na instituição. A atitude desses investidores, segundo Alvarez, pode ser explicada pelo noticiário a respeito da situação financeira das lojas Mappin e Mesbla, que são controladas pelo mesmo proprietário do Crefisul, o empresário Ricardo Mansur. "Esses investidores são tipicamente investidores ariscos, que tomam posições com base em informações sobre a situação das empresas", afirmou Alvarez. A partir da perda dessas aplicações
o Crefisul tentou primeiro honrar seus compromissos com recursos próprios. Mas já no final de janeiro estava tendo que recorrer à linha de redesconto do Banco Central para poder honrar suas posições. O diretor do BC afirmou que no final de janeiro a instituição estava devendo algo em torno de R$ 20 milhões ao redesconto do Banco Central.
Além disso, explicou, o Crefisul deve mais cerca de R$ 100 milhões ao BC devido ao empréstimo do Proer, tomado no primeiro semestre de 1996, para concluir o processo de incorporação do banco Antônio Queiroz. O diretor também informou que na manhã de ontem o BC decidiu não conceder mais empréstimo de redesconto ao Crefisul por considerar que as garantias oferecidas pela instituição já não tinham a qualidade exigida pela autoridade monetária. "Em função disso, o Crefisul ficou virado na reserva bancária", disse Alvarez. Ele informou também que ainda não tem uma avaliação final sobre a situação patrimonial do banco. "Não sabemos se o banco tinha patrimônio negativo ou não. Isso vai depender de muita coisa e também de sabermos qual o valor real das ações do Mappin e da Mesbla, que estavam sob controle do banco", afirmou. Luiz Carlos Alvarez destacou que a liquidação do banco Crefisul, anunciada nesta manhã, em nada afetará o funcionamento das lojas Mappin e Mesbla.

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