BC japonês faz nova intervenção no câmbio
Tóquio, 21 (AE-AP) - O Banco (central) do Japão (BOJ) fez hoje (21) nova intervenção no mercado cambial, a quarta em 11 dias, deixando claro que não vai permitir um forte recuo de sua divisa, o que prejudicaria os exportadores locais e o plano de recuperação da economia. Com isso, o dólar chegou a subir a 122 55 ienes, ante 122,30 na abertura.
A decisão foi anunciada depois que o Ministério das Finanças informou que o superávit comercial do país, excluídos os serviços, caiu nada menos que 31,5% em maio, em relação ao mesmo mês do ano passado, embora o superávit da balança comercial entre o Japão e os Estados Unidos tenha mantido a tendência de alta. As vendas externas do país recuaram 11,8% em maio.
O superávit das operações comerciais externas realizadas em maio somou 834,34 bilhões de ienes, US$ 6,95 bilhões, bem abaixo dos US$ 7,90 bilhões previstos pelos economistas. Em relação ao resultados dos negócios com os EUA em maio de 98, contudo, o superávit comercial cresceu 14,9%, para 522 bilhões de ienes, US$ 4,35 bilhão.
No acumulado do ano, até meio, o Japão registrou um superávit comercial 8,9% menor que nos primeiros cinco meses de 1998. O recuo deu-se, principalmente, em decorrência da queda nas exportações que caíram a um ritmo mais rápido que as importações
principalmente no que diz respeito às vendas externas de aço, peças para computadores, automóveis e embarcações.
O total das compras feitas no exterior recuou apenas 3,3%, em consequência de um aumento de 6,5% nos preços do petróleo. As importações dos EUA diminuíram por causa da redução nas vendas de de aviões.
Segundo fontes do governo, essa é a primeira vez que o superávit comercial do Japão cai por dois meses consecutivos, desde janeiro de 1997. Durante meses, o saldo positivo do comércio do país havia crescido 20%, de forma consistente, até outubro, mas a tendência foi rompida em novembro, com uma baica de 16,2%.
A agressiva intervenção do BOJ, hoje, no mercado de câmbio e o forte discurso do vice-ministro das Finanças para Assuntos Internacionais, Eisuke Sakakibara, conhecido como Mr. Iene, ocorreram logo após a divulgação dos dados sobre a balança comercial. "É possível que o iene tenha de ficar mais fraco", afirmou Sakakibara de forma incisiva, prometendo "tirar o fôlego de qualquer tentantiva de alta do iene, que possa comprometar o projeto de retomada da economia".





