Brasília, 27 (AE) - O Banco Central (BC) voltou a intervir hoje no mercado de câmbio para segurar a cotação da moeda americana. O dólar negociado para liquidação financeira à vista sofreu alguma pressão durante o dia, chegando a ser cotado a R$ 1,8320. No fechamento do dia, a moeda era cotada a R$ 1,831 para venda, apresentando ligeira queda de 0,05%.
A autoridade monetária garantiu também reais ao sistema bancário até a manhã de quinta-feira - último dia de negócios no mercado financeiro antes do feriado bancário de 31 de dezembro. O repasse foi feito a 19,05% ao ano. Amanhã (28) e quarta-feira (29), o BC ainda realiza mais duas operações consideradas decisivas para manter a calmaria que vem caracterizando este fim de ano: vende R$ 2 bilhões de títulos cambiais e entrega às instituições US$ 1,3 bilhão.
A operação refere-se aos leilões de compra e venda de dólar para liquidação financeira a termo nos dias 5 e 10 de janeiro promovidos com o objetivo de assegurar liquidez (disponibilidade) em moeda estrangeira na virada para o ano 2000.
As Notas do Banco Central da série E (NBC-E), com vencimento em 15 de novembro de 2001, apenas compensarão o resgate de papéis semelhantes marcado para a quarta-feira. Simultaneamente, porém, o BC emitirá para sua carteira mais R$ 23 bilhões de títulos cambiais com vencimentos diferenciados.
Na quarta-feira, ocorrerá a liquidação financeira do leilão de venda de dólares. Assim, os bancos recebem uma espécie de linha de financiamento externa, com o compromisso de devolver a moeda estrangeira ao BC em duas etapas: US$ 800 milhões no dia 5 de janeiro e US$ 300 milhões no dia 10 de janeiro, recompondo, assim, o volume das reservas internacionais do BC.
Também na quarta-feira, o mercado, que opera em esquema de plantão e fecha balanço na sexta, conseguirá fechar a inflação de 1999 com o anúncio do IGPM de dezembro pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Confirmadas as expectativas médias, a variação do IGPM no ano deverá superar 20%, anulando a perspectiva de rendimento real das aplicações financeiras no ano, exceto para bolsas de valores e dólar.
Confirmando o esperado, o ritmo dos negócios caiu expressivamente nessa segunda-feira, em todos os segmentos. As operações do mercado aberto continuaram praticamente travadas com o repasse de reais a termo pelo BC. No mercado futuro de contratos lastreados em depósitos interfinanceiros (DI) e taxa de câmbio da BM&F, as taxas caíram novamente e o giro de posições foi esvaziado.
No pregão da BM&F, a projeção de dólar para o fim de dezembro tende a se alinhar mais rapidamente ao mercado à vista e cede. Hoje, esta projeção de câmbio fechou a R$ 1.836,50 e, para o dólar do fim de janeiro, a R$ 1.853,00, ante R$ 1.855,50 do pregão de quinta-feira.
Operadores chamam atenção para o fato de que os juros sinalizados no mercado futuro estão distorcidos por causa do baixo volume de contratos negociados. A posição de maior liquidez (vencimento em abril e que aponta o juro de março) fechou a 20,53%, contra 20,50% ao ano do último pregão anterior ao Natal; o juro esperado para janeiro passou de 19,29% ao ano para 19,17%; e, para fevereiro, de 19,91% para 19,76%.
Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o giro financeiro despencou nesta segunda-feira. Foram negociados R$ 505 milhões (US$ 275,80 milhões). Durante o pregão, o índice Bovespa registrou variações estreitas, mas, no fechamento, alcançou novo recorde absoluto, sendo cotado a 16.011 pontos com valorização nominal de 0,36%.
O volume financeiro da Bolsa do Rio de Janeiro totalizou R$ 4 64 milhões e o IBV caiu 0,29%. Hoje, as ações que subiram nos últimos quinze dias impulsionadas por serviços relacionados à Interne foram alvo de vendas para realização de lucros, mas no fim da tarde a Inepar já apresentava ganho e o Bradesco zerava as perdas. A Globocabo patinava no vermelho.

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