Brasília, 06 (AE) - O Banco Central vai vender mais US$ 500 milhões ao mercado nesta sexta-feira. O anúncio do leilão foi feito hoje à noite por meio do Sisbacen (sistema de comunicação do BC com o mercado financeiro) depois da confirmação de mais uma intervenção do Banco Central no mercado de câmbio. A exemplo do que fez na última sexta-feira, quando leiloou US$ 800 milhões, o BC venderá os US$ 500 milhões com a pré-condição de que os banco revenderão os dólares ao Banco Central no dia 10 de janeiro. É o chamado leilão-conjugado.
A intervenção de hoje ocorreu no momento em que a cotação do dólar ultrapassou o valor de R$ 1,87 chegando a R$ 1 8730. Com a atuação do BC, a moeda americana voltou a se retrair e chegou a R$ 1,8680.
O chefe do Departamento de Operação das Reservas Internacionais (Depin), Daso Coimbra, disse que a intervenção foi "pontual" porque o BC detectou uma falta de liquidez no mercado. "Fizemos uma intervenção pontual e suprimos o mercado", afirmou o chefe do Depin.
No comunicado do novo leilão, ele admitiu que novos leilões poderão ser feitos se o BC detectar que ainda persiste alguma demanda por dólares no mercado. No primeiro leilão a demanda chegou a US$ 1,437 bilhão. Somando os dois leilões, a oferta do BC alcançará, portanto, US$ 1,3 bilhão. Coimbra explicou, no entanto, que "é possível não se tenha que vender os US$ 500 milhões" porque segundo ele, "não necessariamente a demanda real chegou a US$ 1,437 bilhão do primeiro leilão".
Com a atuação de hoje, foi a sétima vez que o Banco Central interveio no mercado de câmbio desde o último dia 27 de outubro, um dia depois de ter renegociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) novos pisos para as reservas internacionais líquidas que são exigidos no acordo com o Fundo.
Dinheiro - Nesta quinta-feira, dia 9, entram no país os recursos de US$ 1,114 bilhão em empréstimos do FMI. Mas o dinheiro só poderá ser usado em novas intervenções sob autorização expressa do Fundo. "Só se houver um necessidade grande o país pedirá autorização para usar o dinheiro", afirmou um técnico do BC.
Ele explicou que, como o Brasil fará pagamentos no total de US$ 5,142 bilhões ao próprio Fundo e aos demais credores do pacote de emergência do final do ano passado, os novos recursos do FMI vão compor as reservas brutas. "E numa necessidade extrema já estarão aqui para serem usados", afirmou. Mesmo assim, destacou, a idéia é deixar o dinheiro nas reservas, uma vez que o BC não prevê maiores tumultos no mercado neste final de ano. Isso porque a diretoria do Banco Central acredita que o leilão-conjugado será um instrumento suficiente para acalmar o mercado na virada do ano.
Na próxima terça-feira, dia 14, o Brasil pagará US$ 1 969 bilhão ao FMI trocando um dinheiro mais caro por outros mais barato. Enquanto os recursos que recebe nesta quinta-feira têm encargos de 4% ao ano, o empréstimo que o País está pagando tem juros de 7% mais 0,5 ponto percentual por semestre. O restante do dinheiro será para o pagamento do Banco para Compensações Internacionais (BIS) e ao Banco do Japão no total de US$ 3,173 bilhões. Estes pagamentos não têm impacto nas reservas líquidas que têm pisos constantes do acordo com o Fundo. Outro US$ 1,807 bilhão em pagamentos do setor público que serão feitos este mês afetam as reservas líquidas.

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