BC interpela Cacciola e abre inquérito para apurar denúncias
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Vânia Cristino e Soraya de Alencar 
Brasília, 12 (AE) - O Banco entral vai interpelar, judicialmente Salvatore Cacciola, proprietário do Banco Marka, beneficiado com a compra de dólares por uma cotação mais baixa do que a praticada pelo mercado. Segundo assegurou o chefe do departamento jurídico do BC, José Coelho Ferreira, o banqueiro tem prazo de 48 horas para responder.
Na interpelação, a cargo da Justiça Federal, o BC questiona se Cacciola confirma, ou não, a matéria publicada esta semana pela revista "Veja", que atribui a ele declarações sobre corrupção dentro do Banco Central. Segundo a revista, Cacciola teria dito que pagava a um alto funcionário do órgão para obter informações privilegiadas.
Ao mesmo tempo que questiona Cacciola, o presidente do BC, Armínio Fraga, determinou a instalação de uma comissão de sindicância para apurar os fatos dentro do banco. A comissão tem prazo de apenas 15 dias para concluir os trabalhos. Para acompanhar a investigação sumária, o Banco Central encaminhou hoje mesmo ao Procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro, ofício solicitando a indicação de um procurador para acompanhar o inqúerito interno. O ofício do BC foi acompanhado de uma cópia da reportagem da revista.
Na interpelação a Salvatore Cacciola, o Banco Central quer também saber o nome do funcionário eventualmente envolvido, o nome dos bancos e o nome da pessoa jurídica que teria recebido
fora do país, os depósitos. Apesar de ter prometido explicar detalhadamente a operação com o Banco Marka e Fonte Cindam, isso até hoje não aconteceu. O BC vem adiando a divulgação do prometido relatório, com a desculpa de que ainda não está definida a estratégia de divulgação. O BC não sabe se simplesmente mandará as informações para o Senado Federal, palco da CPI dos bancos, ou se o próprio presidente, Armínio Fraga, e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, se encarregarão de dar as respostas.
O ex-diretor de Fiscalização do BC, Cláudio Mauch, já assumiu a responsabilidade pela operação. De acordo com Mauch ele determinou, com o apoio da diretoria, que a operação fosse feita. Na sua opinião era a melhor alternativa para evitar uma crise sistêmica. O ex-diretor do BC não explicou, no entanto, porque não decretou a liquidação extra-oficial do Marka e do Fonte Cindam.
"Naquela semana existia praticamente uma proibição para a liquidação extrajudicial de qualquer instituição financeira", contou um alto funcionário do BC. Segundo essa fonte a ordem era do próprio presidente em exercício na época, Francisco Lopes, que temia uma turbulência ainda maior do que a verificada no mercado com o alargamento da banda cambial. "Poderíamos ter liquidado depois", disse o técnico do BC, reconhecendo a dificuldade que o órgão terá para explicar porque, apesar de fora do mercado financeiro, o controlador e ex-administradores do Marka não tiveram os seus bens pessoais declarados indisponíveis, o que só ocorreria com um ato formal do BC.
Ministério Público - O Ministério Público no Distrito Federal poderá pedir a quebra do sigilo telefônico do Banco Marka, do seu controlador, Salvatore Cacciola, de ex-diretores do banco e de Rubens Novaes, economista e operador de mercado. Isso ocorrerá, segundo os procuradores, após o recebimento dos dados referentes à quebra do sigilo bancário da bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e do Banco do Brasil, já obtida na justiça.
O Ministério Público no Distrito Federal abriu inquérito para investigar o prejuízo, com dinheiro público, das operações do Banco Central no mercado futuro de dólares. Os procuradores querem saber o porque da operação e se houve ou não privilégio. "O Banco Marka e o Fonte Cindam serão vistos com especial atenção", afirmou o procurador Guilherme Schelb.


