Brasília, 16 (AE) - O Brasil perdeu, de um dia para o outro, US$ 498 milhões das suas reservas internacionais. O motivo foi a intervenção do Banco Central no mercado de câmbio, além do pagamento de compromissos externos do Tesouro Nacional. Segundo o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, ocorreu concentração de vencimentos do setor público e privado nos últimos dias. Por isso, o nível das reservas internacionais caiu de US$ 35,139 bilhões, na última sexta-feira, para US$ 34,641 bilhões, na segunda-feira (15).
Em março, até o dia 15, as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio implicaram uma perda líquida de US$ 962 milhões das reservas internacionais. A variação líquida das reservas é o que conta no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Como está previsto no acordo, o Banco Central pode destinar US$ 3 bilhões do dinheiro obtido com o FMI, Banco de Compensações Internacionais (BIS) e Banco do Japão para dar liquidez ao mercado no mês de março. Está fora desse montante qualquer incremento de reserva - por exemplo, os recursos obtidos com o Banco Mundial (Bird), que perfazem o volume de US$ 1,01 bilhão.
Pagamentos - A concentração de pagamentos num determinado dia ou semana do mês não foi considerada anormal por Figueiredo. "Nosso balanço de pagamentos tem sazonalidades", afirmou o diretor.
A perda de reservas internacionais registrada pelo na segunda-feira pode, segundo afirmou Figueiredo, ser resultado das movimentações dos últimos três dias úteis. Isso porque, embora a maioria das operações do Banco Central sejam liquidadas dois dias depois, existem também operações liquidadas no mesmo dia e no dia seguinte. Daí que as operações D mais 2, feitas na quinta-feira, têm impacto sobre as reservas internacionais na segunda-feira seguinte.
O diretor de Política Monetária do BC garantiu que as intervenções que vêm sendo feitas regularmente pelo BC no mercado de câmbio não têm como objetivo definir a taxa. "O Banco Central vai defender as reservas", assegurou.
Câmbio - Segundo o diretor, o BC vai fazer tudo para não ter de definir a taxa de câmbio. "Se a taxa de câmbio tiver tendência de queda, vai cair, e se tiver tendência de alta, vai subir", explicou.
Ao longo do tempo, no entanto, o Banco Central induzirá para que a taxa de câmbio fique num determinado nível, afirmou Figueiredo. Para isso, de acordo com o diretor do BC, contribuirão um conjunto de medidas, incluindo mudanças na área fiscal.
Na avaliação do diretor do Banco Central, a taxa de câmbio está em processo de acomodação. Neste primeiro momento, ainda de baixo retorno do fluxo no mercado de câmbio, Figueiredo explicou que as intervenções do BC têm por objetivo dar liquidez ao mercado.
Quando a situação do balanço de pagamentos for normalizada, o BC só atuará no mercado de câmbio quando a volatilidade for excessiva.
Medidas - Na avaliação de Figueiredo, as medidas adotadas nos últimos dias pelo governo, de redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os Fundos de Renda Fixa Capital Estrangeiro e contas de brasileiros não residentes no País (CC5), além da prorrogação da isenção do Imposto de Renda sobre esses fundos, terão um impacto relevante sobre o fluxo de capital estrangeiro. "Não tomaríamos medidas ineficazes", afirmou Figueiredo.
Na opinião do diretor, a turnê realizada pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, pelos Estados Unidos e Europa foi um sucesso.
Estrangeiros - "A mudança de humor dos estrangeiros foi impressionante", afirmou. De acordo com Figueiredo, o Brasil obteve o compromisso voluntário dos bancos estrangeiros para a manutenção das linhas de crédito ao País, o que abre a possibilidade de incremento de novos financiamentos.
Com a boa receptividade verificada no exterior por Malan e Fraga, Figueiredo avaliou que o Brasil conta hoje com melhores condições para a captação de recursos externos do que tinha na semana anterior. "Agora podemos pensar na emissão", afirmou.

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