Brasília, 23 (AE) - Perguntas que podem ser feitas pelos parlamentares foram respondidas hoje pela nova diretoria indicada para o Banco Central, numa simulação da sabatina prevista para a sexta-feira. Reunidos com a assessoria do BC no Congresso Nacional, os diretores foram instruídos a ter calma e clareza nas respostas aos integrantes da Comissão de Assuntos Parlamentares (CAE).
O presidente indicado do BC, Armínio Fraga, não participou da reunião, pois teve vários encontros, ao longo do dia, com o ministro da Fazenda, Pedro Malan.
O governo teme que as perguntas da sabatina fiquem concentradas em Fraga que, até a indicação para o BC, vinha trabalhando com o investidor internacional George Soros. A ameaça dos sindicalistas de comparecer ao Senado levando galinhas - numa indicação de a escolha de Fraga seria como ter uma raposa tomando conta do galinheiro - assusta assessores do BC.
Outro motivo de preocupação foram as denúncias do deputado Aloísio Mercadante (PT-SP) sobre os bancos que teriam lucrado com a desvalorização do real. Dois dos diretores indicados, Sérgio Werlang e Daniel Gleizer, escolhidos, respectivamente para a diretoria de Política Econômica e para a área Externa, ocupavam cargos em bancos envolvidos nas denúncias de Mercadante.
No caso, os bancos BBM - onde Werlang era diretor-adjunto até janeiro - e Garantia, onde Gleizer era diretor de pesquisa. Hoje à tarde eles apressaram-se em garantir
por meio da assessoria, que não tinham qualquer relação com as decisões sobre a atuação das instituições no mercado de câmbio.
De todos os diretores, Luiz Fernando Figueiredo, indicado para a diretoria de Política Monetária, é o mais novo. Ele tem 35 anos. Para a Fiscalização, o atual diretor da área, Cláudio Mauch, indicou o atual chefe do Departamento de Fiscalização, Luiz Carlos Alvarez. No caso da diretoria de Administração, o escolhido foi Edison Bernardes dos Santos que está no BC desde 1972.

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