BC exige certificado anti-bug das teles
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 27 (AE) - O Banco Central vai exigir da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a certificação de que as operadoras estão prontas para enfrentar o bug do milênio. As instituições financeiras vêm encontrando dificuldades em conseguir das companhias telefônicas alguma prova por escrito de que não haverá falha nos serviços na virada do ano.
A Anatel, que acompanha os testes das operadoras realizados nos últimos meses, não criou uma certificação de "compliance" com o ano 2000. Para o órgão regulador das telecomunicações, o teste nacional realizado no dia 20 apresentou bons resultados e a divulgação oficial será feita em setembro.
Mas, para o Banco Central, a certificação é indispensável como retaguarda legal às instituições financeiras em caso de bug. Por isso, o BC vai levar esse tema a discussão com técnicos da Anatel. Se houver pane nas telecomunicações, os correntistas prejudicados podem responsabilizar os bancos.
O BC exige que as instituições apresentem até 30 de setembro um plano de contingência para fatores externos, como falta de energia e falhas nas telecomunicações e no processamento de dados. No caso da energia, os bancos estão preparados com geradores próprios e, se houver falta de luz em uma ou outra agência, o BC não irá aplicar sanções.
Mas para as telecomunicações, os bancos não identificam alternativa além da garantia de que os serviços não serão descontinuados. O BC não pretende prorrogar o prazo para a entrega do plano de contigência, portanto, a certificação das operadoras deve ser definida nas próximas semanas.
Outras medidas preventivas definidas pelo BC são a manutenção do expediente interno das agências no dia 31 de dezembro e testes de simulação de funcionamento no dia primeiro de janeiro.
Teste - Expirou hoje o prazo para as companhias telefônicas entregarem os relatórios do teste nacional ao grupo que coordena a adequação do bug do milênio. O teste para verificar a capacidade de comunicação dos equipamentos envolveu dez fornecedores: Alcatel, Batik, Computel, Ericsson, Motorola, Nec, Nortel, Promon, Siemens e Zetax.
As 22 centrais telefônicas que integraram o teste, incluindo três da Embratel, ligaram 421 mil terminais em chamadas verdadeiras entre as 23h30 do dia 20 e as 02h05 do dia 21, em todas as regiões do País.
Segundo a coordenação dos testes, o risco de bug nas telecomunicações já está perto de zero. "A cada teste reduz-se o risco, mas não se pode dar a garantia que todo mundo quer", afirmou um engenheiro.


