Frankfurt, 08 (AE-REUTERS) - O Banco Central Europeu (BCE) surpreendeu os mercados financeiros nesta quinta-feira (08) ao anunciar uma redução nas taxas de juros muito maior que a esperada, válida para os 11 países da zona do euro. A decisão do BCE foi acompanhada pelas autoridades monetárias da Suíça e da Inglaterra, que também afrouxaram suas políticas monetárias.
Em sua primeira atuação desde que assumiu o comando dos juros na Europa unificada, o BCE reduziu a taxa referencial no mercado interbancário de 3,0% para 2,5% ao ano.
O presidente do BCE, Win Duisenberg, disse que uma combinação de inflação baixa, boas condições monetárias e uma desaceleração no ritmo de crescimento das principais economias que fazem parte da zona do euro justificaram a decisão. Segundo ele, a intervenção militar na região do Kosovo não influenciou a decisão. "A decisão tomada hoje mantém a política monetária estabilizada no longo prazo e permite criar um ambiente econômico no qual o potencial de crescimento econômico da zona do euro pode ser melhor explorado", disse Duisenberg em uma uma entrevista coletiva.
A decisão do BCE sucedeu-se a uma redução menor, de 25 pontos-base (centésimos de ponto porcentual) nos juros referenciais realizada ontem pelo Banco da Inglaterra, que reduziu as taxas de 5,50% para 5,25% ao ano. O corte dos juros pelas autoridades em Frankfurt foi rapidamente imitado em Berna: o Banco Nacional da Suíça reduziu seus juros referenciais de 1 0% para 0,5% ao ano, a menor taxa da Europa.
Os mercados de renda fixa da Europa foram sacudidos pelo tamanho do corte nos juros. Não se esperava uma mudança tão ampla. Os analistas esperam que as bolsas européias, em grande parte fechadas no momento do anúncio da decisão, subam fortemente amanhã.
A moeda única européia, o euro, também reagiu fortemente, chegando a um máximo de 1,0854 euro por dólar durante nos negócios na Europa. Porém, quando Duisenberg disse que "não estava preocupado" com a cotação da moeda única em relação ao dólar, o euro caiu imediatamente. O euro, que desde o seu lançamento no dia 1º de janeiro já caiu 8,32% em relação ao dólar, não conseguiu reagir de forma consistente apesar da queda dos juros.
Divergências - Segundo analistas, a decisão de baixar tanto os juros foi surpreendente e causou reações políticas desencontradas. Se por um lado os governos de Itália e França saudaram a decisão como necessária para estimular o crescimento econômico europeu, lideranças empresariais alemãs criticaram uma possível estratégia de curto prazo do BCE.
Outro ponto é a diferença da situação econômica dos países da Comunidade Européia. França e Alemanha, as principais economias, atravessam uma fase de desaceleração, outros países, como Irlanda, Portugal e Espanha exibem um forte crescimento. Uma baixa de juros agora, dizem alguns críticos, poderia provocar fortes pressões inflacionárias nessas economias.

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