Frankfurt, 05 (AE-DOW JONES) - Em sua primeira reunião de 2000
o Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter inalteradas as suas três taxas de juros, mas a medida não anulou o receio do mercado sobre uma possível alta logo nos primeiros meses do ano.
Após a reunião, o presidente do BCE, Wim Duisemberg, deixou claro que não descarta essa possibilidade. "Mas isso não será hoje", disse. O BCE manteve a taxa de refinanciamento em 3%, enquanto a taxa de empréstimo no overnight permaneceu em 4% e a de depósito, em 2%.
Cerca de 70% dos 27 bancos consultados pela agência Dow Jones nesta semana acreditam que o BCE deverá elevar suas taxas ainda no primeiro trimestre, em razão dos sinais de inflação e de aumento da base monetária na região.
De acordo com o presidente do BCE, os preços aos consumidores europeus devem enfrentar pressões, mas uma alta no curto prazo no início deste ano não é motivo para causar preocupações.
Para Duisenberg, as pressões serão provocadas pelo aumento dos preços dos alimentos e de energia. O dirigente voltou a manifestar confiança no euro, que, segundo ele, deve manter a tendência de alta verificada neste início de ano.
Hoje (05), pelo terceiro dia consecutivo, o euro teve desempenho positivo em relação ao dólar. A moeda chegou a US$ 1 04, a maior cotação desde novembro do ano passado, e depois recuou no fechamento em Londres para US$ 1,032.
As previsões de um euro ressurgente tiveram um grande impulso no início da semana, quando o instituto de estudos econômicos DIW divulgou a previsão para o ano 2000 de um crescimento de 3% nos países que utilizam a moeda.
Apenas um dia antes que o DIW divulgasse os números, o presidente do BCE disse que a economia européia ajudaria a escorar a fraca moeda, que, há um ano, foi lançada a US$ 1,17 e caiu para a marca de menos de um dólar no início de dezembro.
O DIW informou que a fraqueza do euro "não é dramática" e observou que a desvalorização ajudou a estimular as exportações, a chave para o crescimento dos 11 países da União Européia que fazem uso do euro.
O instituto também previu que a inflação terá um apenas um ligeiro aumento em 2000, com a estabilização dos preços do petróleo e com o euro preparando uma retomada.