Brasília, 21 (AE) - O chefe do Departamento Jurídico do Banco Central, José Coelho Ferreira, divulgou hoje que a instituição está se preparando para tomar "providências legais cabíveis" contra o presidente do Banco Marka, Salvatore Cacciola, contra a revista "Veja" e contra os jornalistas que assinaram a reportagem em que a revista denuncia suposta obtenção de informação privilegiada junto ao Banco Central (BC) mediante pagamento de propina a funcionários da instituição. Coelho está aguardando a manifestação de Cacciola na interpelação judicial feita, no último dia 12, no Rio de Janeiro
com o objetivo de confirmar ou não as primeiras denúncias da revista.
De acordo com o advogado, só depois de dispor de todos os elementos é que a diretoria do Banco Central tomará a decisão "contra quem o BC entender que praticou crime". Na opinião do chefe do Departamento Jurídico do BC é delicada a posição da revista que, aparentemente, levantou, sem provas, uma grave suspeita sobre a instituição. Coelho refere-se à nota distribuída pelo advogado de Cacciola, assinado por duas das supostas fontes de "Veja": Leon Sayeg e Omar Jahic. Ambos participaram de uma reunião com o controlador do Banco Marka no dia 9 de fevereiro, quando Cacciola teria falado sobre as informações do BC.
Segundo o fax divulgado, os dois investidores dizem que Cacciola nunca mencionou a palavra "privilegiada" junto ao termo "informação". Negam ainda que o presidente do Marka tenha dado indícios da existência de "esquemas, propinas ou informantes". Eles encerram a nota dizendo que Cacciola teria dito: "Nós tínhamos informações do Banco Central de que a banda cambial só iria ser alargada em meados de fevereiro".
Coelho explicou que, uma vez apurado todo o episódio, também objeto de sindicância interna no BC, o Departamento Jurídico poderá optar por uma representação ao Ministério Público, dizendo que tal crime foi praticado e exigir ainda reparações materiais por danos morais. O crime em questão, segundo Coelho, é a difamação. Com relação à revista "Veja" e os jornalistas, o BC poderá acionar a Justiça com base na Lei de Imprensa. A Comissão de Sindicância do BC, constituída no dia 12
tem prazo de 15 dias para concluir os trabalhos. Já Cacciola, uma vez notificado pela Justiça, no Rio de Janeiro, tem prazo de 48 horas para dar os esclarecimentos solicitados pelo BC.

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